Dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Amazonas registrou aumento no número de domicílios ocupados por apenas um morador. São mais de 140 mil pessoas vivendo sozinhas.
O que chama atenção é o fato de 37,4% dessas residências serem de mulheres idosas.
A pesquisa aponta que 12,1% dos domicílios no estado são ocupados por uma única pessoa, representando um aumento em relação aos 11,3% registrados em 2016.
A partir dos dados fornecidos pela pesquisa, o RealTime1 conversou com uma psicóloga e, também, com uma aposentada, que mora sozinha, para entender o fenômeno.
Idosos que moram sozinhos
A reportagem entrevistou Clarice Souza, que se encaixa no perfil apresentado pelo IBGE, para entender sua rotina. Aos 68 anos, a idosa vive sozinha e se sustenta com a sua aposentadoria.
“Acordo às sete horas, faço meu café, e ao meio-dia já estou com o almoço servido. Faço meu próprio horário. Pago minhas próprias contas com minha aposentadoria e muitas vezes ainda ajudo minhas filhas quando precisam”, contou ao RealTime1.
Clarice perdeu seu companheiro em 2017, após ele sofrer uma parada cardíaca. A viúva conta que ainda sente falta dele e sempre é acolhida por suas filhas e netos nesses momentos.
“Sinto muita saudade dele, para mim ainda é muito recente, há coisas que só ele me ajudava, mas consigo me virar e ainda recebo ajuda das minhas filhas e genros quando é para alguma consulta médica ou fazer compras, graças à Deus. Sempre recebo visitas delas, dos meus netos e bisnetos, nos fins de semana e às vezes à noite, nos dias de semana”, disse.
Apesar de Clarice representar uma parcela positiva das mulheres idosas que vivem sozinhas, a psicóloga Dilza Santos diz que o estado e bem-estar do indivíduo varia de caso para caso.
“Morar sozinho nem sempre é algo ruim, há pessoas que moram sozinhas por escolha própria, gostam de sua individualidade, se confortam com sua própria companhia. E há aquele perfil que morar sozinho(a) seria um terror, gostam da casa cheia, muitas vezes esse perfil quando os filhos casam e saem de casa, experimentam um sentimento de solidão, o que pode ser um risco para o surgimento de transtornos mentais”, ressaltou.
Ela também cita aqueles que esperam ansiosamente para que finalmente os filhos casem e eles possam curtir o silêncio e sua liberdade. E, ainda, o perfil de idosos que preferem conviver com seus pets.
Entretanto, a psicóloga alerta sobre a necessidade de um suporte familiar em casos de perdas, para ajudar os idosos no processo de luto.
“Quando falamos de perdas, a pessoa perdeu o esposo ou o filho que lhe fazia companhia, essa nova realidade é desafiadora, dolorosa, porque foi algo não planejado, vivenciar esse luto se torna um processo difícil, pode levar à depressão. Não é aconselhável essa pessoa ficar só, assim como existe aquele idoso, com saúde debilitada, que precisa de cuidados, é fundamental a acolhida da família, amor e carinho”, alertou a psicóloga.
Como viver bem e sozinho?
A Dilza Santos finalizou dizendo que “é fundamental buscar o equilíbrio, adotar um novo estilo de vida em qualquer contexto”.
“Fazer o que te faz bem, ter uma boa alimentação, conversar com pessoas que elevem o seu astral, entrar em contato com a natureza, traz mais leveza para a vida. Estando em harmonia consigo mesmo, você ficará bem morando só ou com alguém”, destacou.
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