O transporte coletivo eficiente, barato e de massas é uma solução de mobilidade urbana que está passando longe da realidade dos manauenses. Metrô, metrô de superfície, trem, BRT ou mesmo barcas são alternativas que custam caro e demandam construção de grande infraestrutura.
“Transporte é o maior problema das administrações públicas brasileiras e, em Manaus, isso não é diferente, pois envolve cada vez mais recursos que não cabem apenas nos cofres da iniciativa privada”, avalia o diretor Jurídico do Sindicato das Empresas de Transportes coletivos de Manaus (Sinetram), Fernando Borges.
Dos modais de transporte coletivo urbano, metrô é o mais eficiente, porém o mais caro e o menos viável para Manaus. O primeiro obstáculo é o preço: R$ 100 a R$ 500 milhões por quilômetro construído, conforme cálculo do especialista Luís Afonso dos Santos Senna.
“O custo e a escassez de terras para desapropriar, associada às tecnologias cada vez mais sofisticadas para escavar túneis, encareceram por demais esse modelo de transporte”, alerta Santos Senna, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Outro problema é citado pelo arquiteto Bosco Chamma, para quem o perfil hidrológico de Manaus contribuiria para impedir a construção ou encarecer violentamente uma obra assim, pois a cidade tem um lençol freático gigantesco.
Modais de transportes em Manaus
Apesar dessas dificuldades para a implantação de um sistema de transporte coletivos de massa eficiente em Manaus, vários planos mirabolantes já estiveram na agenda dos prefeitos da cidade.
Na eleição em que venceu Serafim Corrêa, em 1996, o ex-prefeito Alfredo Nascimento (PL) prometia a construção de um metrô de superfície que cortaria a cidade desde o Centro até a Cidade Nova. A obra não saiu dos computadores da propaganda eleitoral.
Reeleito em 2000, Alfredo implantou o sistema Expresso, que consistia em ônibus articulados (biarticulados também estavam nos planos, mas nunca chegaram às nossas ruas) trafegando em pistas exclusivas nos corredores centrais que iam do Centro para a Zona Norte.
Os ônibus Expressos ligariam a Zona Norte e o Centro por corredores centrais nas avenidas Constantino Nery, Torquato Tapajós, Max Teixeira e Noel Nutels, que tiveram as pistas duplicadas e ganharam terminais no canteiro central.
O sistema previa ainda a implantação de linhas alimentadoras que deixariam os passageiros nos terminais onde fariam a baldeação para linhas que viessem até o Centro. Essa parte nunca foi concluída por Alfredo ou pelos prefeitos que o sucederam.
Passados mais de 20 anos, os ônibus articulados estão caindo aos pedações e o transporte de massa segue um sonho dos manauenses. No total, o sistema custou R$ 200 milhões pagos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Transportes na Manaus da Copa
Este sonho ganhou duas novas vertentes no período pré-copa do mundo, quando foram previstos investimentos pesados na melhoria do transporte em Manaus, uma das sedes da Copa do Mundo do Brasil e cuja arena deveria ser atendida por este serviço de excelência.
Inicialmente o Governo do Estado, na gestão de Eduardo Braga (MDB), apostou na construção de um monotrilho, que ligaria o Centro à Cidade Nova, na Zona Norte, e ao Jorge Teixeira, Zona Leste. O governo investiu num Estudo de Solos mais de R$ 6 milhões, mas a ideia foi abandonada.
O monotrilho de Manaus custaria R$ 1,4 bilhão e, em fevereiro de 2012, no governo de Omar Aziz (PSD) a Secretaria de Infraestrutura do Amazonas assinou contrato com um consórcio formado pelas empreiteiras CR Almedia, Mendes Junior, Serveng e a empresa da Malásia Scomi Rail.
Seriam 10 trens de seis carros, percorrendo um trajeto de 20 quilômetros, por via aérea e com a expectativa de transportar 35 mil passageiros por hora e por sentido. Em 2013, a Justiça Federal do Amazonas cancelou a licitação, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal.
Enquanto o Governo do Estado tentava botar de pé o projeto do Monotrilho, a prefeitura de Manaus, na gestão de Amazonino Mendes, buscou investimentos previstos para a Copa para a implantação de um sistema chamado Bus Rapid Transit (BRT).
Em síntese, o BRT é o mesmo Expresso de Alfredo Nascimento, sendo que na gestão Amazonino ele teria dois troncos: Centro-Zona Norte, pela Constantino Nery, Torquato Tapajós, Max Teixeira e Noel Nutels; e outro Centro-Zona Leste, pelas avenidas Getúlio Vargas, Umberto Calderaro, Andre Araújo, alameda Cosme Ferreira e por fim Grande Circular.
Os estudos para tirar o BRT do papel foram feitos pela Vetec Engenharia ao custo de mais de R$ 11 milhões contratados em 2010 por Amazonino Mendes. Em 2019, já na gestão de Arthur Neto, a prefeitura desistiu oficialmente de construir o BRT.
De lá para cá a gestão de Arthur propôs o que chamou de BRS, Bus Rapid Service, que vem a ser um novo nome para o Expresso de Alfredo Nascimento e com os mesmos ônibus articulados da época.
Na gestão do atual prefeito, David Almeida (Avante), não há propostas ambiciosas para o tema. Em campanha, David prometeu implantar miniestações de ônibus climatizadas nas principais paradas de ônibus, em parceria com a iniciativa privada, o que até agora não saiu do papel.