quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Peças arqueológicas revelam noções de gênero pré-colonização

Evidências arqueológicas, textos, audiovisuais etnográficos e históricos são organizados em narrativas para jovens.
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Arqueologia resgata noções de gênero. (Foto/ Divulgação)

Imagens arqueológicas, registros históricos e fotos antigas são alguns dos itens que compõem as exposições virtuais Vira Homem! e O Sexo dos Anjos, no Acervo Multimídia de Arqueologia e Antropologia (AMAA).

As ciberexposições, acessíveis pelo site do AMAA, discutem os papéis de gênero e as representações do masculino e do feminino em outros tempos e lugares, “antes do colonialismo e eurocentrismo se expandirem mundo afora, impondo seus valores e crenças”, indicam os colaboradores do acervo. 

O processo de curadoria das exposições contou com a participação de profissionais da Universidade Federal de Goiás, da Universidade Federal do Oeste do Pará, da Universidade Federal de Sergipe, do Núcleo de Pesquisa Arqueológica – Nuparq – do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, e do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, entre outras instituições.

Coordenado pela arqueóloga e historiadora Loredana Ribeiro, da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, o repositório digital utiliza o acervo arqueológico de museus universitários, entre eles peças do MAE nos conteúdos sobre branquitude e sexualidade.

“Como um projeto de divulgação científica crítica, o AMAA apresenta pesquisas de pouca circulação entre o público, daqueles estudos ligados à raça, gênero e sexualidade, e expõe a cumplicidade da ciência, enquanto instituição ocidental e colonial, na naturalização e fixação dos marcadores sociais da diferença”, aponta Loredana.

Nossos materiais denunciam como o colonialismo ainda intervêm para ocultar e distorcer os entendimentos culturais não ocidentais sobre gênero e sexualidade e a contínua retomada de povos indígenas e afrodiaspóricos”, diz. 

Articulados a partir de uma visão feminista da ciência, evidências arqueológicas, textos, audiovisuais etnográficos e históricos são organizados em narrativas que estimulam o pensamento crítico de jovens.

O material também se pretende um referencial de apoio para docentes da rede básica de ensino tratarem diferentes conteúdos programáticos na perspectiva de uma educação descolonial para as relações étnico-raciais.

“Em 2021, recebi o convite da professora Loredana para colaborar com algumas frentes do AMAA, que vem inovando a comunicação dos acervos arqueológicos e antropológicos por meio de novas abordagens, como as discussões sobre gênero, sexualidade, classe, raça, geração, entre outros marcadores”, afirma Maurício André da Silva, educador do MAE.

Ele conta que tem utilizado alguns dos materiais do AMAA nas ações educativas do MAE.

“E o resultado é sempre impactante, pois as pessoas sempre saem com perguntas, curiosas e estimuladas a saírem da zona de conforto”, diz.

Jornal da USP

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