quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Base científica no AM é beneficiada com R$ recursos do Reino Unido

Em visita à obra do experimento em Manaus, chanceler britânico anunciou R$ 32 milhões para o programa brasileiro.
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Uma das torres do projeto AmazonFACE (Foto: Raul Vasconcelos/ MCTI)

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, e o ministro das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido, James Cleverly, visitaram nesta terça-feira (23/5) a estação de pesquisa do AmazonFACE.

A estrutura fica cerca de 80 quilômetros ao norte de Manaus, e lá estão sendo montadas as torres do programa na Floresta Amazônica.

Na visita, o chanceler britânico anunciou aporte de 2 milhões de libras (cerca de R$ 12,3 mlhões) ao programa. Com isso, o Reino Unido soma 7,3 milhões de libras (R$ 45 milhões) de apoio ao AmazonFACE desde 2021.

O governo brasileiro investiu R$ 32 milhões por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A ministra Luciana Santos anunciou a liberação dos recursos anunciada durante a visita.

O chanceler britânico e a ministra Luciana Santos durante visita de campo ao projeto AmazonFACE. Foto: Raul Vasconcelos/ MCTI

Os resultados do AmazonFACE vão ajudar a comunidade científica internacional a compreender melhor como a maior floresta tropical pode ajudar na mitigação das mudanças climáticas globais, bem como aumentar a precisão de sua vulnerabilidade ao aquecimento global.

A iniciativa tem contribuição central para respostas mais apropriadas no alcance das metas globais do clima.

O AmazonFACE é o principal projeto de cooperação científica entre os dois países. O Reino Unido é o segundo maior parceiro de ciência e tecnologia do Brasil, sendo que nos últimos sete anos houve cooperação em pelo menos 700 iniciativas bilaterais de pesquisa.

“O AmazonFACE materializa a capacidade de excelência da ciência brasileira de prover evidências científicas e contribuir com o combate às mudanças climáticas. É essa competência que nos coloca como potência científica na América Latina e como importante elo na construção das relações internacionais do Brasil”, afirmou a ministra Luciana Santos.

“Estou feliz em ser o primeiro chanceler britânico a visitar o Brasil depois de tantos anos. Vim aqui para renovar e fortalecer nossos laços. É uma parceria marcada por valores compartilhados, como liberdade, democracia e preocupação com a situação do planeta. Nossa parceria para o Crescimento Verde e Inclusivo é um símbolo das muitas áreas em que Reino Unido e Brasil podem cooperar para benefício dos nossos povos e do mundo inteiro”, disse o chanceler britânico.

O que é o AmazonFACE?

O AmazonFACE é um programa de pesquisa do MCTI e integra a estratégia da pasta para desenvolver ciência para e sobre a Amazônia.

Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa/MCTI) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) coordenam o programa, em cooperação internacional com o governo britânico e implementado pelo Met Office – o serviço de meteorologia britânico.

O experimento se propõe a responder a seguinte questão global:

“Como as mudanças climáticas afetarão a Floresta Amazônica, a biodiversidade que abriga e os serviços ecossistêmicos que ela fornece à humanidade?”.

Para isso, o AmazonFACE avalia a capacidade de resposta da floresta tropical a níveis elevados de dióxido de carbono (CO₂) e os impactos deste processo para o clima global, a biodiversidade e os ecossistemas.

Ou seja: como a floresta reage ao aumento de concentração de CO₂ para entender seu papel dentro do contexto das mudanças climáticas.

Esse conhecimento é muito importante para o desenvolvimento de políticas de mitigação. As simulações dos modelos computacionais climáticos de vegetação nada poderão fazer sem dados de campo que mostrem se esse efeito de fertilização por CO₂ de fato existe na Floresta Amazônica, quão forte é e quanto tempo vai durar.

A informação que será gerada é de grande importância para oferecer melhores projeções sobre o que vai acontecer com a maior floresta tropical do mundo.

O que é a tecnologia FACE?

O experimento utiliza a tecnologia FACE (Free Air Carbon Dioxide Enrichment), ou enriquecimento de gás carbônico ao ar livre, em português.

A tecnologia FACE libera ar enriquecido com gás carbônico sobre uma vegetação e monitora suas respostas. Isso vai ajudar a entender como o aumento do CO₂ modifica folhas, raízes, solo, ciclo da água e dos nutrientes da Floresta Amazônica.

O impacto ao redor da área do experimento na Amazônia será mínimo e todo o carbono liberado será compensado com o plantio de árvores em áreas de fronteira com o desmatamento. 

A tecnologia existe desde os anos 1990 e já foi aplicada em projetos em florestas temperadas nos EUA e na Austrália e no Reino Unido. O AmazonFACE é o único em floresta tropical.

Infraestrutura

Para executar o experimento, estão em construção os anéis (plots) em um território reservado para pesquisa na Floresta Amazônica. Cada anel tem 16 torres de 35 metros de altura e 30 metros de diâmetro, que circundam cerca de 50 árvores adultas.

É por meio dessas torres que será liberado o ar com CO₂. Nelas também serão acoplados sensores de monitoramento que medem a concentração de CO₂ no ar.

No total, serão seis anéis. Cada anel terá também um guindaste com cerca de 50 metros de altura que permitirá aos cientistas coletar materiais e observar o que acontece acima da copa.

Foto: Raul Vasconcelos/ MCTI

A previsão é colocar os seis anéis em operação no início de 2024. O empreendimento científico tem o desafio de montar a infraestrutura da plataforma de pesquisa com a tecnologia FACE.

A iniciativa recuperou 34 km de ramal de acesso à ZF-02 que vai permitir a passagem de veículos, cabos de comunicação, de fibra óptica e instrumental técnico nas áreas de pesquisa do AmazonFACE.

O programa também estuda as consequências socioeconômicas do aumento do CO₂ na atmosfera. Também avalia como as pessoas percebem as mudanças climáticas e quais estratégias de adaptação elas adotam no cotidiano para lidar com o novo contexto.

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