quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Biotecnologia vai usar Castanheiras para recuperar áreas degradadas

Pesquisa vai investigar o efeito da nanomolécula arbolina no solo e em pés de castanheiras em áreas desmatadas.
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A arbolina será pulverizada em folhas de árvores cultivadas em diferentes sistemas de plantio na região (Foto: acervo/Shell do Brasil)

A castanheira, árvore nativa da Amazônia, é a espécie chave escolhida para uma experiência de pesquisa, ensino e extensão em nove estados da Amazônia Legal.

Com investimento de R$ 4 milhões da Shell Brasil, o projeto NANORAD’s objetiva investigar o efeito de uma nanomolécula de carbono no solo e na planta, testando-a em diferentes sistemas de cultivo para recuperar áreas degradadas e impactadas pelo desmatamento.

O projeto estabeleceu uma rede de pesquisa robusta entre instituições amazônicas. É realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e a empresa Krilltech Nanotecnologia Agro.

O que é a arbolina?

A nanomolécula (arbolina) é um biofertilizante capaz de aumentar a tolerância das plantas ao estresse provocado pela baixa disponibilidade de nutrientes e água, pela alta irradiância solar e temperatura em áreas desflorestadas, em estado de degradação.

São condições desfavoráveis que tornam o processo de recuperação do solo mais desafiador e oneroso.

O uso da nanotecnologia pode potencializar o crescimento de árvores no campo, pois intervém no processo fisiológico da planta.

A arbolina, desenvolvida pela Krilltech, tem demonstrado grande potencial para alterar as trocas gasosas, tornando a captura e o uso da luz pela planta mais eficientes.

“Vamos trabalhar em três frentes: primeiro, junto ao Inpa, buscaremos entender como diferentes sistemas de plantio podem auxiliar no reflorestamento. Junto à Krilltech, saber como a arbolina pode influenciar no crescimento de espécies nativas da Amazônia. Por último, com a Treevia, empresa de mensuração florestal parceira do projeto, vamos tentar provar um meio de contabilizar o carbono sequestrado pela floresta. Esse projeto contribui para os esforços de recuperação da Amazônia”, afirma o gerente de Tecnologia de Baixo Carbono da Shell Brasil, Alexandre Breda.

Como vai funcionar a experiência com a arbolina?

A arbolina será pulverizada em folhas de árvores cultivadas em três sistemas de plantio:

  1. puro – somente com castanheiras
  2. misto – castanheiras com outra árvore do bioma local
  3. agroflorestal – castanheiras combinadas com outras espécies frutíferas, adubadoras, arbustos, entre outras
Pé de castanheira da Amazônia

Contudo, não existe um protocolo de seleção de espécies de árvores com potencial para gerar um setor de produção e que agregue emprego e renda na Amazônia.

“O uso de produtos florestais certificados da Amazônia depende de escala de produção. Somente esses plantios em áreas desflorestadas e consideradas marginais são capazes de entregar esses resultados a partir do uso de tecnologias para o pequeno, médio e grande produtor do setor de produção”, explica o coordenador do projeto do Inpa, José Francisco de Carvalho Gonçalves.

Além de avaliar os efeitos na produtividade e de monitorar o comportamento da castanheira em diferentes sistemas de plantio, o experimento controlado pretende medir os estoques de biomassa e o acúmulo de carbono em áreas cultivadas com e sem a aplicação da arbolina.

Um sensor irá mensurar, em tempo real, a circunferência das árvores e informará os estoques de carbono na biomassa e acima do solo.

“Essa será a primeira vez que uma rede de sensores de crescimento florestal será instalada em todos os estados da Amazônia. Isso permitirá o monitoramento simultâneo em cada um deles, buscando entender qual o efeito que as mudanças climáticas possuem sobre o crescimento das florestas”, afirma Esthevan Gasparoto, engenheiro florestal e sócio-diretor da Treevia.

Em suma, esse laboratório vivo vai permitir documentar a dinâmica da restauração florestal e compreender o potencial impacto da arbolina nos custos de projetos de reflorestamento, visando o mercado de créditos de carbono.

Saiba mais

A área total destinada para os testes é de 100.00 m2, subdividida em sítios com tamanhos iguais de plantio localizados nos estados da Amazônia Legal.

Por causa de investimento, a pesquisa iniciada em 2022 deve durar três anos.

A Shell Brasil financia o projeto com recursos oriundos da cláusula PD&I da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Pois, a cláusula estabelece que as concessionárias destinem 1% da receita bruta em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil.

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