Prestes a completar 71 anos de história, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) sobrevive após sucateamento e redução orçamentária. Referência internacional em ciência na Amazônia, o órgão se mantém com um quadro de funcionários reduzido e um orçamento diminuto que, para 2023, é de R$ 36,7 milhões.
Diretora do Instituto, a pesquisadora Antonia Franco afirma que a verba é suficiente apenas para manter o básico.
Por consequência, as linhas de pesquisa, a gestão e também os nove Programas de Pós-graduação (PPG) sofrem efeitos negativos.
Franco diz que os recursos atuais ajudam a manter o pagamento das contas de energia, vigilância e limpeza dos três campi em Manaus, 15 reservas e flutuantes, e dos quatro núcleos de apoio situados em quatro estados da Amazônia Legal.
“Em estudos internos, verificamos a necessidade de cerca de 40% a mais, que totaliza um orçamento aproximado R$ 52 milhões de nosso orçamento atual para conseguirmos manter nossa Instituição atuante como sempre foi quanto à sua excelência científica”, disse ao RealTime1.
De acordo com diretora do Inpa, o recurso seria utilizado, principalmente, para melhorar a manutenção da infraestrutura e, como apoio à pesquisa instalada, para fortalecer as entregas de resultados e soluções científicas, tecnológicas e de inovação que contribuirão com o desenvolvimento sustentável.
Quadro de funcionários
O instituto possui, aproximadamente, 460 servidores ativos e precisa recompor o quadro de pessoal.
O Governo Federal autorizou, em abril, concurso para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com um total de 814 vagas, todas de nível superior, para todo o Ministério. O Inpa será contemplado. No entanto, ainda não foi definido o número de vagas.
Antonia destacou que, mesmo tendo captação de recursos e apoio aos projetos de pesquisadores, a redução dos quadros aumenta a cada dia.
“Cerca de 50% de nossos servidores está em abono de permanência, ou seja, têm as condições e podem se aposentar a qualquer momento. Nesses casos, corremos o risco de perdermos várias de nossas linhas de pesquisa”, alertou.
Pedido de socorro
Na última quarta-feira (10), pesquisadores e gestores dos centros de pesquisa da Amazônia pediram aos integrantes da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados, e ao Congresso Nacional, esforços para a manutenção do orçamento das várias instituições, para que o trabalho não seja interrompido nos próximos anos.
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