O Amazonas é o estado do país que tem a terceira menor proporção de médicos por mil habitantes, aponta estudo da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), publicado em fevereiro deste ano. O estado tem 4,2 milhões de habitantes e 5.796 médicos, o que dá uma razão de 1.36 médicos para cada mil habitantes.
O estudo “Demografia Médica no Brasil 2023” mostra que a proporção de profissionais por habitantes do Amazonas só fica à frente do Maranhão, que tem o pior índice (1.22) e do Pará (1.18).
Em Manaus, a proporção é um pouco maior, chega a 2.39 médicos para cada mil habitantes, mas a capital do Amazonas tem o quarto pior número do país, ficando à frente apenas de Boa Vista (2.32), Rio Branco (2.25) e Macapá (2.12).
Norte tem pior proporção
De acordo com o estudo, o Norte é a região do país com menos médicos por habitantes do Brasil. Com mais de 18,9 milhões de habitantes, a região conta com 27.453 médicos, uma razão de 1.45 médicos por mil habitantes. O Nordeste é o segundo pior, com 1.93 médicos por mil habitantes.
A maior proporção no país está no Sudeste, onde há 2.95 médicos por mil habitantes. O estudo constatou que, em pouco mais de 20 anos, o número de médicos mais que dobrou no país. Em janeiro deste ano, havia 562.229 médicos inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o que corresponde a uma taxa nacional de 2.6 médicos por mil habitantes. Nessa perspectiva, deverão ser mais de um milhão de médicos em 2035.
Desigualdade
De acordo com Raul Canal, presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), o Brasil sofre com uma grande desigualdade na distribuição da população médica. Isso significa que, segundo o especialista, o volume não resolve o problema de saúde do Brasil. Além disso, a proporção de profissionais da área atuando em municípios pequenos e mais distantes dos grandes centros urbanos é ainda menor, contribuindo para a falta de acesso de parte da população a serviços básicos de saúde.
“Analisando o cenário, não é difícil constatar que a má distribuição de profissionais não resulta de um suposto desinteresse dos médicos, que até chegam a migrar para essas regiões. O grande problema é que acabam desistindo de atuar nessas cidades, onde notam a ausência de uma infraestrutura mínima: não há hospitais, postos de saúde, unidades especializadas, remédios, transporte. Não há o mínimo para atender com dignidade.”, aponta o presidente Anadem.
Da Redação, com informações da assessoria