Questionado sobre possibilidade de concorrer novamente a um cargo majoritário, o ex-prefeito de Manaus e atual deputado estadual, Serafim Corrêa (PSB), aos 73 anos, destaca um pensamento sobre a arte política: “Existem duas palavras que você não deve dizer: nunca e sempre”. Em entrevista exclusiva ao RT1, onde falou sobre esse e outros temas.
No panorama das eleições municipais de 2020, Serafim acredita que é a hora de uma nova geração assumir o protagonismo. É a vez dos mais novos. “As novas gerações têm que vir para a disputa, participar, mostrar caminhos e projetos com pé no chão. A nossa geração, que ascendeu às lides de disputa pelo Executivo nos anos 80 ou 90, já demandou 40 anos. Já fizemos a nossa trajetória. É hora de renovar”, considerou Serafim Corrêa.
Renovação
Mesmo desejando renovação política, Serafim acredita que a “bandeira do novo” não deverá ter a mesma força que teve nas últimas eleições. Ele destaca que a vantagem de quem está a mais tempo na política é já ter visto, mais de uma vez, o mesmo filme. “Vimos em 1989, quando o Fernando Collor era o ´novo´ e se elegeu presidente. Era o caçador de marajás. O Governo Collor foi um desastre”, disse Serafim.
Serafim relembra que após o governo Collor, foi a vez daqueles que ele acusava de ser da velha política. Como, por exemplo, Antônio Carlos Magalhães, Leonel Brizola e Miguel Arraes. “Todos ganharam eleições, voltaram a exercer o poder de forma ponderada e equilibrada”, disse o deputado, considerando que o povo tem momentos. “O povo toma uma decisão nas eleições. Mas, se verifica que não foi o melhor ou considera que foi induzido ao erro, sabe se recompor na eleição seguinte”.
Eleições Municipais
Para as eleições municipais no Brasil, não só em Manaus, Serafim acredita que haverá “um tempero”. Haverá alguns novos que vão obter êxito nas eleições. “No meu entendimento, obtido ao longo da vida política, vai preponderar aqueles que tem mais experiência”, afirma o deputado.
Isso porque o entendimento da população sobre o “novo” mudou. “A postura de aloprar, de ser o salvador do mundo, de ser uma solução enviada por Deus, para resolver todos os problemas, tudo isso ficou para trás. O povo está muito assustado com o novo. O novo tem sido uma tragédia”, opina.
CPI da saúde
Na entrevista, Serafim Corrêa também falou sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), da qual é suplente. Ele acredita que esta não vai terminar em pizza. Serafim está a cada dia mais convencido da necessidade do avanço da CPI.
“Estamos encontrando situações muito preocupantes para saúde de modo geral. Situações que, talvez, nem a Secretária de Saúde, Simone Papaiz, nem o próprio governador Wilson Lima saibam”, relata Serafim.
“Posso dar como exemplo a vistoria feita no hospital de retaguarda Nilton Lins. Não foi identificado nenhum controle de frequência das empresas terceirizadas. O Hospital Nilton Lins, mesmo não sendo unidade gestora, não tinha a cópia de nenhum contrato”, informou.
Serafim questiona como é que se pode atestar se empresa “x” colocou à disposição o número de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem exigidos em contratos, se não há administração do tempo ou controle de frequência dos prestadores de serviços.
“Imagine que o contrato não está assinado. A empresa está trabalhando sem contrato. Como vai conseguir receber? Qual funcionário será corajoso para atestar o serviço prestado? Ninguém, visto que foi detectado que não havia nenhum controle de frequência”.
Terceirização
Para o deputado estadual, o problema mais grave na saúde do Estado é uma exceção que virou regra: colocar a gestão da saúde nas mãos de entidades privadas. Para ele, o problema na saúde do Amazonas vem de um desvio ocorrendo de 30 anos para cá, que é a resistência do Estado em seguir as regras do SUS (Sistema Único de Saúde).
“No SUS, a última coisa a fazer é usar o serviço da iniciativa privada. No Amazonas, isso virou de cabeça para baixo. A primeira opção são as empresas particulares. Notadamente, agora estão derivando para algo muito ruim, que são exatamente as organizações sociais de saúde, supostas entidades filantrópicas sem fins lucrativos”, destaca Serafim.
Ele cita como exemplo, o Hospital Delphina Aziz, já controlado por uma instituição desse tipo. Outro exemplo para o deputado é a instituição chamada Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), no Rio de Janeiro, cuja investigações ocasionou a prisão de Edmar Santos, secretário estadual de saúde e ocorrência na casa do governador Wilson Witzel.
“A Iabas havia requerido a sua habilitação para atuar no Amazonas. No primeiro momento foi negado, duas semanas depois foi deferido e ela estava pronta para assumir o Francisca Mendes. Aí aconteceu aquela tragédia lá no Rio de Janeiro e obviamente eles não tiveram coragem de fazer, agora, aquilo que estava previsto fazer antes”, lembrou. Para o parlamentar, a Comissão Parlamentar de Inquérito não tem a intenção de ser uma “caça às bruxas”. “Estamos empenhados em apurar. O nosso objetivo não é prender ninguém, mas é apurar irregularidades, equívocos cometidos e sugerir caminhos. Claro que se no meio do caminho a gente encontra uma irregularidade gritante, esse fato será levado a conhecimento do Ministério Público para que ele, que é o dono da ação penal, possa tomar as providências cabíveis em sua alçada”, finalizou.