No final de agosto e início de setembro, três empresas de pesquisa – IPEC, Pontual e Perspectiva – publicaram novos resultados na corrida para o governo do Amazonas. Em uma análise feita pelo cientista social Gilson Gil, ele indica que o cenário tende a ser favorável ao candidato Wilson Lima (UB), que tenta a reeleição, o colocando no segundo turno, deixando incerto de quem será a segunda vaga da disputa, se de Amazonino Mendes (Cidadania) ou de Eduardo Braga (MDB).
Há diferenças na metodologia que precisam ser apontadas. O IPEC e a Pontual realizaram entrevistas face a face. A Perspectiva optou pelo uso de entrevistas telefônicas.
As amostras também diferiram. O IPEC fez 800 entrevistas, em 20 cidades, entre 21 e 23 de agosto. A Pontual fez 2.318, em 14 cidades, nos dias 26 e 27 de agosto. A Perspectiva realizou 1.500, em 25 municípios, entre 6 e 8 de setembro.
Da mesma forma, também houve diferenças na margem de erro. A do IPEC foi de 3%. A da Pontual foi de 2% e a da Perspectiva, 2,5%
Em relação aos números dos principais competidores, algumas disparidades foram sentidas.
Para o governo, o IPEC apontou um empate entre Wilson e Amazonino (30% x 30%), com Eduardo em terceiro, bem atrás (16%). A Pontual assinalou uma vantagem para o governador Wilson sobre o ex-governador Amazonino (32,7% x 26,5%) acima da margem de erro, com o senador Eduardo ficando para trás (14,9%). A Perspectiva mostrou um cenário mais equilibrado, com Wilson liderando (29,8), seguido por Amazonino (24,8%) e Eduardo logo atrás (20,9%).
Nesta pesquisa, a mais recente, os três mais bem colocados estão acima de 20% das intenções estimuladas e somam mais de 75% dos votos, ou seja, ¾ do total.
São três horizontes distintos. O certo é que Wilson cresceu (seja pela força da máquina, pelo horário eleitoral, pelas liberações de verbas para obras ou por suas visitas ao interior) e Amazonino parou em um certo patamar (talvez pelo horário eleitoral reduzido, pelas dificuldades físicas de deslocamento e de recursos e pela falta de um puxador de votos federal).
A diferença é Eduardo. Terá ele subido? Ou permaneceu com menos de 20%? Até que ponto o apoio de Lula, as viagens pelo interior, as liberações de emendas e o bom espaço no horário eleitoral podem ter promovido, ou não, uma subida?
Há alguns pontos que são claros, especialmente se olharmos as pesquisas da Pontual (26 e 27 de agosto) e da Perspectiva (6 a 8 de setembro).
Wilson e Eduardo são mais fortes no interior. Suas viagens, apoios de prefeitos, liberações de verbas e deslocamentos constantes estão produzindo efeito.
Amazonino sofre por seus problemas de deslocamento e por não ter recursos a liberar para as cidades do interior, seja em obras ou em emendas parlamentares. Por outro lado, na capital, Amazonino é líder. Ele já foi prefeito da cidade, governador em 2017/18 e veio de um segundo lugar na eleição municipal de 2020. É bem lembrado e seu nome está na memória popular, além de ter baixa rejeição e nenhuma acusação recente.
Wilson e Eduardo possuem problemas de rejeição na capital, por denúncias em processos de corrupção e da época da pandemia, as quais acabaram por minar suas imagens junto ao público de Manaus.
O cenário, com todas as suas nuances, é este: Wilson cresce, mas não sabemos qual o seu teto e nem se reduzirá a rejeição na capital. Amazonino, apesar da boa imagem na capital, está perdendo o interior e se vê em dificuldades com o tempo de propaganda reduzido e seus limites de deslocamento. Eduardo, por sua vez, tenta chegar ao segundo lugar, buscando crescer no interior, o que vem conseguindo, e reduzir a rejeição na capital. É o candidato mais identificado com uma candidatura federal (Lula), segundo a pesquisa da Perspectiva, e vai tentar explorar isso ao máximo, a fim de entrar no segundo turno.
Texto: Gilson Gil