quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Pesquisa diz que 20% dos cristãos são instruídos sobre voto nas igrejas

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Em torno de 20% dos eleitores com alguma religião frequentam igrejas ou outros locais de culto onde dizem receber instruções sobre como votar, recomendações para escolher candidatos religiosos e orientações sobre como agir em relação à política, segundo pesquisa Datafolha.

As ações para influenciar o posicionamento dos fiéis são mais presentes entre evangélicos do que entre católicos, de acordo com o levantamento. Nos dois segmentos, porém, a maioria dos entrevistados (por volta de 80%) relata não haver tentativa de interferência no pensamento político.

Outras religiões não foram consideradas na análise porque as bases de dados são muito pequenas. Do total de entrevistados, 51% se declaram católicos e 26%, evangélicos.
O Datafolha ouviu 2.556 pessoas acima dos 16 anos em 181 cidades na quarta (22) e quinta-feira (23) da semana passada. A margem de erro da pesquisa, contratada pela Folha de S.Paulo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 09088/2022, é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

A fatia dos eleitores que responderam seguir total ou parcialmente as instruções das igrejas também é superior entre os evangélicos. Esse grupo dá ao presidente Jair Bolsonaro (PL) vantagem na competição com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que encabeça a corrida eleitoral deste ano.

Na média geral da população, Bolsonaro tem 28% de intenções de voto no primeiro turno, enquanto Lula lidera com 47%. Entre evangélicos, o atual mandatário alcança 36%, ante 28% do adversário. Entre católicos, o petista se sai melhor: ele possui 42%, enquanto o rival registra 20%.

Bolsonaro tem a seu lado líderes de algumas das principais denominações evangélicas e costurou ao longo do mandato uma relação íntima com o setor. Não só em aparições públicas, com visitas a templos e cultos, mas também na articulação política, tendo na base a bancada evangélica do Congresso.

As perguntas sobre eventuais ações das igrejas para direcionar a ação política de seus seguidores só foram feitas aos entrevistados que declaram ter alguma religião. O instituto também quis saber em que nível eles acatam as sugestões vindas de pastores, padres e outros mestres.

Entre os 20% que relatam serem impactados por mensagens sobre como votar nas eleições, 6% dizem segui-las na íntegra (9% entre evangélicos e 6% entre católicos), 8% obedecem em parte (12%/6%) e 6% afirmam ignorá-las (7%/6%).

A tendência de evangélicos cederem mais do que católicos se mantém nos outros dois aspectos indagados: tanto a sugestão de dar preferência a candidatos religiosos na hora de ir às urnas quanto a orientação sobre como agir nos assuntos políticos de forma geral.

Texto: Joelmir Tavares (Folhapress)

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