quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Economistas divergem sobre venda da refinaria Reman ao Grupo Atem

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A venda da Refinaria Isaac Sabbá (Reman) ao Grupo Atem divide opiniões de economistas. Especialistas ouvidos pelo Real Time1 acreditam que a comercialização da empresa, que opera no refino e na distribuição dos combustíveis, viabilizará modernização, aumento produtivo e maior eficiência à distribuição dos combustíveis no estado. Porém, sem impacto em preços. Por outro lado, há profissionais que avaliam a negociação como negativa, como uma possibilidade de formação de monopólio no mercado.

O presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Marcus Evangelista, afirma que é favorável à venda da refinaria ao Grupo Atem. Ele acredita que as negociações com a empresa amazonense deverão agregar soluções ao mercado, sem ocorrência de monopólio.

“Quem está adquirindo a refinaria é um grupo regional forte, que já opera com vários postos de combustível no estado. Vale ressaltar que não teremos perdas de empregos porque houve um acordo de remanejamento. Acredito que essa venda só vai agregar principalmemte pelo fato de a empresa ser amazonense. Não acredito na possibilidade de monopólio”, comentou o presidente.

Para o economista, Orígenes Martins, a venda da refinaria ao Grupo Atem possibilitará investimentos e modernização ao setor de trato e distribuição de combustível no estado. Ele também não acredita na possibilidade de monopólio e justifica que um investidor na área de distribuição de combustível precisa buscar o máximo de distribuidores possíveis para comercializar o produto e conseguir lucro.

“O Grupo Atem está adquirindo um ativo e não compensará vender combustível somente para a própria empresa porque perderá dinheiro. Será necessário vender para o máximo de distribuidoras possível para poder ter retorno do investimento feito. O mercado será aberto para novos investidores e ocorrerá estímulo à livre concorrência”, avaliou.

Possível monopólio

Por outro lado, o economista Francisco Mourão Júnior, é contrário à venda da Reman à Atem. Para o economista, está claro que a transição acarretará em monopólio do mercado de combustível no estado.

“O Grupo Atem será detentor da refinaria que fornecerá para os demais postos de combustíveis no estado. Vai ter monopólio dos mercados e vai contra a livre concorrência, prejudicando os consumidores”, comentou.

“A venda não deverá resultar em aumento nos preços dos combustíveis porque o produto tem preço controlado. Mas também não deverá baixar o valor como se espera porque o preço do combustível tem diversos custos, entre eles o tributário, que impede o livre preço”, explicou.

Atem não revela se ‘abrirá’ mercado

A reportagem questinou o Grupo Atem se pretende conceder oportunidade para outras empresas atuarem como distribuidoras dos combustíveis, no estado. Porém, a empresa se restringiu em informar por meio de nota que a concretização da operação está sujeita ao transcurso do prazo legal de 15 dias e demais condições contratuais. Confira a nota divulgada na íntegra:

“Sobre a decisão do Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade), a Atem afirma que: “Prevaleceu a abordagem técnica e minuciosa da Superintendência Geral do Cade, que reconheceu as virtudes concorrenciais de uma operação que aumentará a competição no refino sem prejudicar outros mercados relacionados. A empresa ressalta que a concretização da operação está sujeita ao transcurso do prazo legal de 15 dias e demais condições contratuais”.

Texto: Priscila Caldas

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