quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Parteiras indígenas do AM participam de oficina sobre 'Troca de Saberes'

O objetivo da oficina é permitir que, a partir da troca de saberes, os profissionais entendam a importância das parteiras no contexto de atendimento à saúde da mulher.
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(Foto: Arquivo/Revista Crescer)

Um grupo de 28 parteiras tradicionais indígenas dos municípios de Beruri, Autazes, Urucará, Itacoatiara e entorno de Manaus participam, desde a última segunda-feira (21), da oficina “Troca de Saberes com Parteiras Tradicionais Indígenas”. O evento encerra nesta terça (22).

O objetivo do evento, realizado pela Fiocruz Amazônia e o Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (Disei) Manaus, é promover um intercâmbio de experiências entre mulheres indígenas parteiras e profissionais de saúde que atuam na rede de atenção à mulher nesses municípios, bem como fortalecer essa prática milenar.

O encontro terá dois dias de duração na comunidade Três Unidos, território da etnia kambeba, pertencente ao polo-base Nossa Senhora da Saúde, área de abrangência do Disei Manaus.

A oficina é a penúltima a ser realizada pelo projeto Redes Vivas e Práticas Populares de Saúde: Conhecimento Tradicional das Parteiras e a Educação Permanente em Saúde para o Fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde à Mulher no Estado do Amazonas, executado desde 2017 pelo Laboratório de Pesquisa em História e Ciências da Saúde na Amazônia (Lahpsa), do ILMD/ Fiocruz Amazônia, em parceria com o Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Estado da Saúde (SES/AM), contando com financiamento do Ministério da Saúde.

Elionai de Figueiredo Soares, enfermeira do Disei Manaus e organizadora da oficina, explica que em alguns casos, como o do povo kambeba, as parteiras são procuradas pelas mulheres primeiro que os profissionais da rede de atenção básica.

“Já temos esse reconhecimento lá, mas em muitos locais ainda existe resistência por parte dos profissionais de saúde”, afirma. Em Beruri, antes de procurar o serviço para dar início ao pré-natal, as mulheres indígenas são acolhidas e recebem orientação das parteiras da comunidade. Só em seguida é que buscam a equipe multidisciplinar de saúde.

“A parteira é uma pessoa que já está na comunidade, conhece o histórico da paciente e muitas das vezes é da família, sendo, portanto, esse primeiro contato bem melhor que com o profissional de saúde, que é um desconhecido”, observa.

Segundo a enfermeira, o objetivo da oficina é permitir que, a partir da troca de saberes, os profissionais entendam a importância das parteiras no contexto de atendimento à saúde da mulher.

Durante os dois dias de oficina, enfermeiros e psicólogos que compõem as equipes multidisciplinares de atenção básica estarão participando de atividades em conjunto com as parteiras. No total, 64 parteiras tradicionais estão em atuação nos 19 municípios que integram o Disei Manaus.   

Com informações da assessoria

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