Quase metade das mulheres brasileiras com 16 anos ou mais sofreu assédio em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública citados durante a abertura da Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação 2026, promovida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
De acordo com o levantamento, 49% das mulheres foram vítimas de assédio no último ano, a maior taxa registrada em comparação com anos anteriores da pesquisa. O estudo também aponta que 37,5% das mulheres brasileiras de 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência e que 31% já sofreram ofensas verbais.
A procuradora federal Daniela Carvalho afirmou que o crescimento dos números torna necessário debater o assédio especialmente nas instituições públicas. Segundo ela, o assédio moral, sexual, eleitoral ou vertical provoca danos psicológicos, sociais, físicos e profissionais, afetando também o bem-estar coletivo.
O desembargador Wagner Cinelli, presidente do Comitê de Promoção da Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação do 1º Grau, classificou o problema como desafio permanente, pois muitos assediadores não se reconhecem nesse papel.
A promotora de Justiça Isabela Jourdan afirmou que o assédio começa antes do ato em si e envolve desqualificação, objetificação e invisibilização das vítimas. Ela defendeu educação, formação e canais de escuta e acolhimento como instrumentos de prevenção.
Os números mostram que o assédio não pode ser tratado como episódio isolado ou problema de comportamento individual. Trata-se de uma prática disseminada, que exige resposta institucional, responsabilização, acolhimento às vítimas e mudança cultural. Sem canais seguros de denúncia, muitas mulheres continuam expostas ao medo, ao constrangimento e à impunidade.