A relação dos brasileiros com a Amazônia continua presa a imagens distantes da vida real da região. Segundo levantamento da Associação dos Negócios de Sócio-Bioeconomia da Amazônia (Assobio), que tem como título “O que o Brasil pensa da Amazônia?” a maioria ainda associa o território a povos isolados, vida primitiva, mistério e limitações estruturais.
Os números mostram um imaginário antigo, construído mais pela distância do que pela experiência direta:
- 90% concordam que “a Amazônia abriga povos que vivem de forma primitiva e isolada”;
- 79% acreditam que é “um lugar onde vivem indígenas e povos nativos no meio da floresta”;
- e 74% veem a região como “mística, cheia de mistérios e folclore”.
Essa percepção é reforçada pela ideia de que a Amazônia seria inacessível. O estudo aponta que, embora haja “reconhecimento” de sua importância ambiental, ainda predomina uma leitura estigmatizada.
O imaginário nacional também exclui um componente central da realidade amazônica: a urbanização. Enquanto apenas 35% dos brasileiros reconhecem que há cidades urbanizadas no território, a realidade mostra o contrário.
Dados oficiais citados no estudo indicam que 76% da população da Amazônia Legal vive em áreas urbanas, revelando um abismo entre percepção e fato.
Um participante da etapa qualitativa resume esse descompasso: “As pessoas têm uma visão muito estereotipada, enxergam de maneira arcaica, como se não tivesse acesso à moradia, coisas básicas.”
Desconhecimento reforça a distância emocional
Outro conjunto de dados da pesquisa aprofunda o motivo desse distanciamento: 65% dos brasileiros afirmam não conhecer a Amazônia.
A principal justificativa é direta — 72% nunca estiveram na região —, seguido pelo fato de que o interesse sobre essa região só aparece quando o tema ganha algum espaço na mídia (65%).
A ausência de contato, tanto físico quanto emocional, transforma a Amazônia em um “universo misterioso”, acessado apenas por notícias esporádicas ou relatos de terceiros, normalmente pessoas que nasceram na Amazônia e moram em outras regiões.
Outros fatores reforçam o desconhecimento: 29% não se interessam em acompanhar conteúdos sobre a Amazônia e 28% dizem não encontrar produtos ou iniciativas amazônicas onde vivem.
Por outro lado, 35% afirmam conhecer a região, e entre eles predominam motivações ligadas ao interesse — seja pela natureza, cultura e sustentabilidade (51%), seja por temas como tecnologia e desenvolvimento sustentável (27%).
Esse grupo se informa principalmente por notícias e conteúdos sobre a Amazônia (35%), seguido por séries e documentários (32%) e por temas de medicina tradicional (22%).
Confira o estudo na íntegra: