quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Roda-gigante da Ponta Negra sofre pane elétrica e pessoas são retiradas às pressas

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Funcionário da roda-gigante precisou acionar manualmente o equipamento para a retirada das pessoas das 18 cabines da atração. (Foto: RealTime1)

A noite deste sábado (22/11) expôs, mais uma vez, fragilidades na condução da nova atração turística anunciada pela Prefeitura de Manaus. A roda-gigante instalada na Ponta Negra na última quinta-feira sofreu uma pane elétrica enquanto operava com dezenas de visitantes, deixando famílias apreensivas e obrigando uma evacuação emergencial.

A interrupção repentina do funcionamento gerou tumulto entre os frequentadores do local, que registraram em vídeo crianças presas nas cabines e a tensão generalizada que tomou conta do complexo.

Sem energia, pessoas ficaram presas enquanto um dos funcionários da empresa, manualmente e sem qualquer equipamento de segurança, começou a retirá-las das 18 cabines da atração, anunciada pelo prefeito David Almeida, como a maior roda-gigante da região Norte.

O incidente ocorreu justamente no momento em que o vereador Amauri Gomes (União Brasil), que desde às 16h denunciava publicamente problemas na instalação elétrica e uma suposta ligação clandestina de energia abastecendo o equipamento, pressionava para que a Amazonas Energia e o Corpo de Bombeiros verificassem o local.

Amauri denunciava, ainda, a ausência de um disjuntor para proteger a instalação elétrica contra sobrecargas e curtos-circuitos, interrompendo automaticamente o fluxo de corrente para evitar superaquecimento dos fios, incêndios e danos a equipamentos;

Ainda não se sabe o que ocasionou a pane elétrica.

Apesar das imagens que circularam nas redes sociais e da evidente vulnerabilidade operacional, a Prefeitura demorou a apresentar informações claras sobre as condições técnicas da instalação e o motivo da falha, alimentando um ambiente de incerteza que já cercava o empreendimento desde sua inauguração.

Pane elétrica vai parar no 19o. Distrito Policial

A atuação de Amauri Gomes dividiu opiniões no momento da pane. Enquanto parte da população o acusava de politizar a situação, outras pessoas reforçavam que o episódio, em si, confirmava a necessidade urgente de fiscalização mais rigorosa sobre a estrutura autorizada pelo prefeito David Almeida.

A própria presença prolongada do vereador no local, insistindo na denúncia de “gato”, acabou se tornando um componente central do caos instaurado, sobretudo após ele ser conduzido ao 19° Distrito Integrado de Polícia para prestar esclarecimentos. Até às 23h, o vereador ainda não tinha prestado depoimento.

“Eu quero que provem que tenho envolvimento com o que aconteceu hoje. No momento em que fomos até a caixa de energia, estávamos acompanhado por um policial militar e um guarda municipal. Então, desafio que mostrem nas câmeras onde eu estava no momento em que o brinquedo parou”, desafiou o parlamentar.

Falha estrutural, negligência ou interferência externa

O delegado Ivo Martins disse que, hoje, seria registrado um Boletim de Ocorrência e que as partes seriam ouvidas. Depois, deve-se abrir uma investigação para identificar se a pane foi resultado de falha estrutural, negligência ou interferência externa.

Enquanto isso, o episódio deste sábado consolida o prenúncio já feito por Amauri Gomes e intensifica o debate sobre a responsabilidade da Prefeitura na condução de um projeto que, antes de oferecer lazer à população, deveria garantir segurança, transparência e credibilidade.

Prefeitura fala em vandalismo

Embora tenham conseguido retirar os visitantes sem ferimentos, o episódio levanta questionamentos sobre a preparação operacional da Prefeitura para inaugurar uma atração dessa magnitude sem oferecer segurança plena, transparência documental e respostas rápidas em situações de emergência.

A gestão municipal, que vinha promovendo a roda-gigante como símbolo turístico da cidade, enfrenta agora desgaste público e pressão para explicar não apenas a falha desta noite, mas também o conjunto de controvérsias que envolve a instalação, desde dúvidas sobre a regularidade de sua operação até reclamações sobre preços e falta de acesso às informações técnicas.

Apenas às 22h49 a Prefeitura de Manaus disponibilizou uma nota de repúdio no site oficial – o incidente ocorreu por volta das 19h30 – destacando o ato como “de vandalismo”, garantindo que houve violação na caixa de energia do equipamento.


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