Um novo estudo global indica que o setor privado mantém firme o discurso da sustentabilidade, mas ainda precisa avançar na prática. O relatório “Turning the Key: Unlocking the Next Era of Sustainability Leadership” (em português: Girando a chave: desvendando a próxima era da liderança em sustentabilidade), divulgado em 2025 pelo Pacto Global da ONU e pela Accenture, revela que embora quase todos os executivos planejem ampliar seus compromissos ESG, poucos estão preparados para transformar essas metas em resultados concretos.
Integração ESG nas estratégias corporativas
A pesquisa ouviu quase 2 mil CEOs em mais de 130 países e constatou que 99% pretendem manter ou ampliar os compromissos com sustentabilidade, enquanto 97% planejam integrar metas ambientais, sociais e de governança (ESG) às estratégias centrais de suas empresas até 2050.
No entanto, o relatório mostra que o entusiasmo não se reflete na mesma proporção na execução: apenas metade dos líderes se sente à vontade para divulgar publicamente seus avanços e menos de 15% acreditam estar preparados para enfrentar os desafios econômicos, climáticos e regulatórios que vêm pela frente.
Desafios: regulação, tecnologia e governança
Entre os principais obstáculos apontados pelos executivos estão a falta de infraestrutura tecnológica para mensurar e reportar resultados ESG, o custo de transição para modelos de baixo carbono e a complexidade regulatória internacional.
Segundo o estudo, a governança climática ainda é frágil na maioria das corporações, o que compromete a transparência e a capacidade de adaptação frente às metas de descarbonização.
Inovação e colaboração como chaves de transição
O relatório destaca que a inovação, a digitalização e a colaboração multissetorial são elementos decisivos para enfrentar a crise climática e garantir competitividade.
As empresas que estão à frente na agenda ESG são justamente as que integram sustentabilidade e tecnologia — utilizando inteligência artificial, dados climáticos e ferramentas digitais para medir impacto e orientar decisões estratégicas.
Caminho para uma nova liderança sustentável
De acordo com o Pacto Global da ONU, essa transição exige um novo tipo de liderança, capaz de combinar propósito, transparência e desempenho financeiro sustentável.
O estudo conclui que as empresas que conseguirem equilibrar essas dimensões serão as mais resilientes diante da crise climática e das pressões regulatórias que moldarão a economia global nas próximas décadas.
ESG no Brasil e na Amazônia
Na América Latina, o Brasil se destaca como um dos países com maior número de empresas signatárias do Pacto Global da ONU — mais de 1,8 mil organizações já assumiram compromissos com metas de sustentabilidade, segundo dados da iniciativa.
No entanto, assim como apontado no cenário global, o principal desafio está na execução: ainda há pouca integração entre estratégias corporativas, métricas ambientais e investimentos em inovação.
Na Amazônia, o avanço da agenda ESG vem sendo impulsionado pela bioeconomia e por iniciativas voltadas à descarbonização e à rastreabilidade das cadeias produtivas, especialmente diante da realização da COP30 em Belém, que deve acelerar o engajamento do setor privado na transição verde da região.
Afinal, o que é ESG?
A sigla ESG vem do inglês Environmental, Social and Governance — ou, em português, Ambiental, Social e Governança. O conceito se refere a um conjunto de critérios usados para avaliar o impacto e a responsabilidade das empresas em relação ao meio ambiente, à sociedade e à forma como são geridas.
Na prática, adotar o ESG significa, por exemplo, reduzir emissões de carbono, promover diversidade no ambiente de trabalho e garantir transparência nos processos internos.
Além de atender às exigências de consumidores e investidores mais conscientes, as empresas que incorporam esses pilares se posicionam melhor no mercado e contribuem para um futuro mais equilibrado e sustentável.
Certificação ESG: há legislação?
Atualmente, não existe uma legislação única no Brasil que regule a certificação ESG. No entanto, há normativas e padrões internacionais que servem como referência para as empresas que desejam obter certificações reconhecidas. Algumas das principais certificações e frameworks são:
- ISO 14001 (Meio Ambiente)
- SA 8000 (Responsabilidade Social)
- ISO 26000 (Diretrizes de Responsabilidade Social)
- GRI Standards (Relatórios de Sustentabilidade)
- IBGC (para Governança Corporativa)
- Selo B (Sistema B – Empresas com impacto positivo)
Etapas para uma empresa iniciar o processo de certificação ESG:
- Diagnóstico: Avaliação interna das práticas atuais em relação aos critérios ESG.
- Planejamento: Definição de metas, indicadores e estratégias de implementação.
- Capacitação: Treinamento de equipes e alinhamento com a cultura organizacional.
- Execução: Implantação de políticas e práticas sustentáveis e de governança.
- Monitoramento: Acompanhamento de indicadores e ajustes contínuos.
- Certificação: Escolha do selo ou norma desejada e contratação de auditoria externa.