quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Traficantes da Bahia, Pará e Amazonas reforçam defesa armada em favelas do Rio de Janeiro

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Motociclistas circulam por rua com fumaça após confronto policial no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.
Moradores circulam pelas ruas da Penha após a megaoperação das forças de segurança que deixou mais de cem mortos e prendeu 113 suspeitos, incluindo criminosos de outros estados.. (© Fernando Frazão/Agência Brasil)

A megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro expôs o avanço da atuação interestadual do Comando Vermelho (CV). Segundo a Polícia Civil, dos 113 presos, 33 vieram de fora do estado, com criminosos da Bahia, Amazonas, Pará Goiás e Pernambuco.

As investigações apontam que o tráfico tem recrutado foragidos de outras regiões para reforçar a defesa das comunidades cariocas, sobretudo nas áreas de mata do Complexo da Penha.

O confronto mais intenso ocorreu na Serra da Misericórdia, onde os policiais encontraram resistência armada com o uso de drones para lançamento de granadas.

De acordo com relatos de moradores, os forasteiros se concentram na região conhecida como Vacaria, realizando plantões armados para proteger o território do CV.

‘CV AM’ e ‘Tropa de Manaus

Entre as armas apreendidas, havia fuzis com inscrições “CV AM” (Comando Vermelho do Amazonas) e “Tropa de Manaus”. Um pastor da Penha relatou que criminosos do Pará, Bahia, Goiás e Amazonas se revezam na mata, mas sofrem desvantagem por desconhecer o terreno e as táticas da polícia.

O subsecretário operacional da Polícia Civil, Carlos Oliveira, confirmou que líderes de facções de outros estados estão se instalando em comunidades do Rio.

Segundo ele, o ambiente permite a manutenção das atividades criminosas e a coordenação de execuções fora do estado.

Na noite de terça-feira (28), duas mulheres de Goiás aguardavam no Hospital Estadual Getúlio Vargas por informações sobre os companheiros, supostamente mortos no confronto. Uma delas contou que falava por vídeo com o marido, escondido na mata da Vacaria, quando ele foi atingido.

Traficantes pagam por abrigo

Relato obtido pela Polícia Civil do Pará revelou que o CV exige pagamento semanal de R$ 250 de traficantes de outros estados que buscam abrigo nas comunidades cariocas. Para se livrar da cobrança, precisam cumprir turnos armados na mata da Serra da Misericórdia.

O criminoso paraense Alexander Alves de Moura, condenado a 33 anos de prisão, afirmou que as armas usadas nos plantões eram entregues por Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como chefe do tráfico no Complexo da Penha e alvo principal da operação. Doca não foi localizado.

Com o fortalecimento da rede interestadual, o Complexo do Alemão se tornou um ponto de distribuição de drogas para o Nordeste. Em setembro de 2023, duas mulheres foram presas no Ceará após retirarem 50 quilos de maconha no Alemão e embarcarem em ônibus rumo a Crateús, onde fariam a entrega por R$ 2 mil.

Identificação das vítimas

A polícia ainda trabalha na identificação dos 121 mortos da operação. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro montou uma tenda de apoio no pátio do Detran, no Centro do Rio, e afirma enfrentar dificuldades devido à presença de pessoas sem vínculos familiares diretos com as vítimas.

A defensora Mirela Assad relatou que o número de mortos vindos de outros estados é “surpreendente”, com grande procura de conhecidos e companheiros em busca de desaparecidos.

O caso de Fernando Henrique dos Santos, de Goiás, exemplifica a dificuldade: ele saiu de casa na antevéspera da operação e não foi mais encontrado.

Fonte: O Globo

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