Uma megaoperação policial nos conjuntos do Complexo do Alemão e da Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou pelo menos 64 mortos — entre eles quatro agentes — e resultou em 81 prisões nesta terça-feira (28). A ação teve como alvo a facção Comando Vermelho (CV) e incluiu a apreensão de quase cem fuzis.\\
Segundo dados do governo estadual, trata-se da operação mais letal já registrada no estado.
O governador Cláudio Castro afirmou no início da noite que a ação “não tinha hora para terminar”. Por volta das 18h30, foi registrado novo tiroteio intenso na área.
Durante a tarde, o tráfico lançou represálias em várias regiões da cidade, elevando o clima a um cenário de guerra. Barricadas feitas com veículos, entulho e incêndios bloquearam vias como a Linha Amarela, a via Grajaú-Jacarepaguá e a Rua Dias da Cruz, no Méier.
Em razão dos bloqueios múltiplos, o Centro de Operações e Resiliência do Rio de Janeiro (COR) elevou o nível operacional da cidade para 2, em uma escala de 5. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM) determinou o deslocamento de todo o efetivo para as ruas e suspendeu atividades administrativas.
Represálias do tráfico espalham o caos em diferentes regiões do Rio
A operação faz parte da Operação Contenção, iniciativa permanente do governo estadual para frear o avanço do CV em territórios fluminenses. Cerca de 2.500 agentes de diversas forças de segurança participaram do cumprimento de quase cem mandados de prisão.
Ainda de madrugada, ao chegarem às comunidades, as equipes foram recebidas a tiros e encontraram barricadas em chamas; um vídeo registra cerca de 200 disparos em um minuto, entre colunas de fumaça.
A Polícia Civil relatou que criminosos chegaram a lançar bombas por drones e fugiram em fila indiana pela parte alta das comunidades, lembrando cenas de 2010 no Alemão.
Entre os mais de 80 detidos está Thiago do Nascimento Mendes (conhecido como “Belão do Quitungo”), apontado como um dos chefes do CV na região, além de Nicolas Fernandes Soares, identificado como operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”.
O secretário envolvido na operação destacou que cerca de 280 mil pessoas vivem nas áreas abrangidas pela ação. Ele afirmou que, apesar do lamento pelas vítimas feridas, a ação era “necessária, planejada, com inteligência” e que seguirá em curso.