quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Crise causada pela pandemia afeta diretamente o trabalhador doméstico

De acordo com o Dieese, isso ocorre tanto pelas características da ocupação quanto pela forma como o vírus atinge o segmento dos trabalhadores domésticos.
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Empregado doméstico foi prejudicado durante a pandemia
Dieese: pandemia da covid-19 atrapalhou relações de emprego doméstico

Estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) concluiu que a crise causada pela pandemia da covid-19 afetou diretamente os trabalhadores domésticos, também conhecido como empregado doméstico.

Denominado “Quem cuida das cuidadoras: Trabalho doméstico remunerado em tempos de coronavírus”, o estudo ressalta as relações de desigualdades no Brasil.

De acordo com o Dieese, isso ocorre tanto pelas características da ocupação quanto pela forma como o vírus atinge as relações de cuidados e afazeres domésticos no país.

70% sem carteira assinada

Segundo a economista e técnica do Dieese, Cristina Vieceli, o Brasil tem 6,23 milhões de trabalhadoras domésticas, das quais 70% não têm carteira assinada, o que revela o alto índice de informalidade no setor.

Apenas 38% dessas trabalhadoras contribuem para a Previdência Social, o que, em situação de desemprego, as deixa desassistidas pelo sistema de seguridade e impedidas de receber auxílio-doença ou auxílio-desemprego.

“Esses trabalhadores são, em sua maioria, mulheres (93%) e estão bastante vulneráveis. Correm o risco de se tornarem desempregadas. Devido as características do trabalho, elas têm baixa remuneração e alto índice de informalidade.”, afirmou Cristina.

O estudo do Diesse ainda destaca que o trabalho doméstico é desempenhado principalmente por mulheres negras.

Ressalta também que a média de idade das mulheres é alta, o que as coloca em situação de maior vulnerabilidade ante a pandemia.

Além disso, boa parte delas é responsável pela renda familiar – 45% são chefes de domicílio, e sua renda é muito importante para a família.

Para Cristina, como os empregadores estão dentro de casa, muitos têm medo de ser contaminados pelo coronavírus, o que os leva a dispensar as trabalhadoras, deixando-as em situação de fragilidade econômica.

“Aquelas que permanecem trabalhando correm o risco de se contaminar com o vírus, já que precisam usar transporte público para se deslocar ao trabalho.”, pontuou a pesquisadora

Agência Brasil

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