quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Húngaro vence Nobel de Literatura e reafirma o poder da arte diante do caos

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László Krasznahorkai, Nobel de Literatura em 2025 (Foto: Matt Dunham/AP)

O escritor húngaro László Krasznahorkai é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2025. A Academia Sueca anunciou o nome do autor nesta quinta-feira (9/10), destacando sua “obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”. Entre os concorrentes estava o escritor manauara Miltom Hatoum.

O prêmio, no valor de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), reconhece um dos autores mais complexos e intensos da literatura contemporânea.

Nascido em 1954, na cidade de Gyula, Krasznahorkai é conhecido por explorar a angústia humana em cenários distópicos e sombrios.

Seus romances, como Sátántangó e Melancolia da resistência, misturam filosofia, crítica social e uma linguagem densa, marcada por longas frases e reflexões existenciais.

Sátántangó, publicado em 1985, retrata um grupo de camponeses abandonados em meio à decadência do regime comunista. A obra virou filme em 1994, dirigido por Béla Tarr, e se tornou um marco da literatura húngara.

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Um olhar filosófico sobre o colapso humano

Com formação em direito e especialização em latim, Krasznahorkai construiu uma carreira que ultrapassa fronteiras geográficas e culturais.

Viveu em Berlim Ocidental, passou temporadas no Japão e nos Estados Unidos, e residiu por um período em Kyoto e Nova York. Essas experiências ampliaram seu olhar sobre o mundo e influenciaram o caráter universal de sua escrita.

Em 2015, ele recebeu o Man Booker International Prize pelo conjunto da obra, reforçando seu prestígio global. Com o Nobel, seu nome se junta a uma lista histórica que inclui autores como Han Kang (2024), Jon Fosse (2023) e Annie Ernaux (2022).

Krasznahorkai transforma o desespero em reflexão e o caos em arte — uma combinação rara e necessária em tempos de incerteza.

O reconhecimento reafirma o papel da literatura como resistência simbólica num mundo marcado por crises, autoritarismos e desigualdade.

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