O apoio à liberação da maconha para uso medicinal atingiu o maior índice já registrado pelo PoderData desde o início da série histórica, em 2022.
Segundo a pesquisa mais recente, realizada de 27 a 29 de setembro de 2025, 66% dos brasileiros defendem a liberação da cannabis para fins de saúde, um crescimento de seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Em contrapartida, 26% se dizem contra, uma queda de cinco pontos em um ano.

A mudança de percepção da sociedade ocorre em meio a uma série de iniciativas governamentais e decisões judiciais que vêm moldando o debate sobre o uso terapêutico da cannabis no país.
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O levantamento do PoderData mostra ainda que o apoio à liberação é maior entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 82% de aprovação, contra 45% entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL).
O resultado confirma que, apesar das divergências políticas, há uma tendência consolidada de apoio ao uso medicinal da maconha, acompanhando movimentos já observados em outros países da América Latina e da Europa.

A pesquisa ouviu 2.500 pessoas em 178 municípios das 27 unidades da Federação, por telefone, com margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Estados e municípios puxam o debate
Em novembro de 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que a União criasse uma regulamentação para o plantio, cultivo e comercialização da cannabis industrial.
A medida permite essas atividades apenas a pessoas jurídicas e exclusivamente para fins medicinais e farmacêuticos, mantendo o uso recreativo fora da pauta.
Em maio deste ano, o governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), apresentou um plano nacional para regular e fiscalizar tratamentos médicos com cannabis.
No fim de setembro, o governo pediu ao STJ uma prorrogação de 180 dias para concluir a regulamentação, alegando necessidade de mais diálogo com a sociedade, especialistas e o setor farmacêutico.
Enquanto o governo federal avança lentamente na regulação, estados e municípios vêm tomando a dianteira. Em São Paulo, uma lei aprovada em 2023 garante a distribuição gratuita de medicamentos à base de cannabis na rede estadual de saúde.
A prefeitura da capital também anunciou a ampliação da oferta de canabidiol pelo SUS, medida que vem beneficiando pacientes com epilepsia, dores crônicas e outras condições.
Essas ações têm contribuído para aumentar o conhecimento público sobre o uso medicinal da maconha e reduzir o estigma que ainda cerca o tema.
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