A pressão arterial de 12 por 8, antes considerada padrão de saúde ideal, agora passou a ser definida classificada na categoria de pré-hipertensão.
De acordo com novas regras médicas apresentadas no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, quem tiver pressão entre 120 e 139 (o número maior) e/ou entre 80 e 89 (o número menor) tem maior risco de desenvolver hipertensão no futuro. O objetivo é incentivar a prevenção desde cedo.
A mudança segue a tendência da Sociedade Europeia de Cardiologia, que em 2024 passou a chamar essa faixa de “pressão elevada”, embora ainda não seja hipertensão.
Níveis de pressão reavaliados
A hipertensão continua definida por valores iguais ou acima de 14 por 9. Para quem já é hipertenso e está em tratamento, a meta passou a ser manter a pressão abaixo de 13 por 8.
Antes considerados apenas como “normais limítrofes”, esses níveis foram reavaliados à luz de novos estudos e hoje são vistos como um sinal precoce de risco.
📲 Participe do canal do RealTime1 no Instagram
Isso porque pesquisas de longo prazo mostram que, mesmo nessa faixa, já existe maior probabilidade de desenvolver hipertensão no futuro, além de maior chance de sofrer infarto, derrame e de apresentar lesões silenciosas em órgãos como coração, rins e vasos sanguíneos.
Na prática, a mudança significa que pessoas com pressão a partir de 120/80 mmHg precisam de atenção mais próxima.
A aferição deve ser feita de forma correta, em diferentes momentos, e idealmente confirmada por métodos como a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA) ou a monitorização ambulatorial (MAPA).
Essas técnicas ajudam a descartar situações transitórias, como a hipertensão do jaleco branco, e fornecem uma visão mais realista do perfil pressórico do paciente.
Aleras para a “xona de risco”
Embora 12 por 8 não seja considerada hipertensão, especialistas alertam que representa uma “zona de risco”. Quem se encontra nessa faixa deve receber orientações para adotar um estilo de vida saudável.
O tratamento da pré-hipertensão começa com mudanças no estilo de vida, que são capazes de reduzir a pressão em vários pontos e diminuir os riscos a longo prazo. Isso inclui adotar uma alimentação equilibrada, como a dieta DASH, que prioriza frutas, verduras, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura, além de limitar o sal, o açúcar e os ultraprocessados.
A prática de atividade física regular, tanto aeróbica quanto de resistência, contribui para o controle do peso, melhora a saúde cardiovascular e ajuda a reduzir a pressão arterial. Manter o IMC dentro da faixa saudável, não fumar, limitar o consumo de álcool e adotar estratégias de manejo do estresse também são medidas essenciais.
Em alguns casos específicos, pode ser necessário considerar o uso de medicamentos.
Isso vale para pessoas que, mesmo após mudanças de hábitos, mantêm a pressão persistentemente acima de 130/80 mmHg e que apresentam alto risco cardiovascular — como diabéticos, portadores de doença renal crônica ou indivíduos com histórico familiar de doença cardiovascular precoce.
Nestes casos, a introdução da terapia farmacológica tem mostrado benefícios em reduzir complicações.
Qual o objetivo da reclassificação?
O grande objetivo dessa reclassificação é prevenir antes que a hipertensão se instale de forma definitiva. Ao identificar e tratar precocemente a pré-hipertensão, é possível reduzir de forma significativa a progressão da doença e a ocorrência de eventos graves no futuro.
Isso exige não apenas a conscientização dos profissionais de saúde, mas também o engajamento do paciente em cuidar do seu estilo de vida e acompanhar de perto sua saúde cardiovascular.
Leia Mais: