Todos os dias, 2,333 trilhões de litros de água suja, composta majoritariamente por esgoto residencial sem tratamento, são despejados nos rios e córregos que cortam os nove estados da Amazônia Legal. A quantidade de esgoto bruto despejado equivale a 761 piscinas olímpicas.
O número é alarmante e foi revelado nesta terça-feira (16/9) pelo Instituto Trata Brasil. Segundo o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Amazônia Legal”, apenas 16,8% do esgoto gerado em 2022 recebeu algum tipo de tratamento antes de voltar para o meio ambiente.
Com isso, 21,971 milhões de pessoas nas 772 cidades da região vivem sem coleta de esgoto em casa, um déficit muito acima da média nacional.
Apesar da abundância de água e biodiversidade da Amazônia, o investimento médio na região é de apenas R$ 66,52 por habitante ao ano, muito abaixo dos R$ 223 necessários.
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Saúde pública em risco
A ausência de saneamento básico tem impactos diretos na saúde. Em 2019, a Amazônia Legal registrou 204,4 afastamentos por doenças de veiculação hídrica a cada mil habitantes, e 454,2 por mil para doenças respiratórias.
As internações também são preocupantes: 85,1 mil casos de doenças de veiculação hídrica, com crianças e idosos entre os mais afetados.
A exposição a esgoto a céu aberto aumenta infecções gastrointestinais, doenças transmitidas por mosquitos e animais, e eleva a incidência de problemas respiratórios.
A média nacional, embora também preocupante, apresenta índices bem menores: o déficit de água tratada e coleta de esgoto no Brasil atinge 15% e 44% da população, respectivamente.
A pesquisa estima que universalizar o saneamento entre 2024 e 2040 geraria benefícios superiores a R$ 330 bilhões. Entre eles, destacam-se a redução de custos com saúde (R$ 2,7 bilhões), valorização imobiliária (R$ 25,1 bilhões), renda com turismo (R$ 22,1 bilhões) e aumento da produtividade da população (R$ 192,9 bilhões).
É preciso urgência em colocar o saneamento na agenda pública, não apenas como obra visível, mas como estratégia para desenvolvimento, conservação ambiental e produtividade.
Confira o estudo na íntegra:
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