Mesmo com o avanço dos preços, a carne bovina mantém sua posição de destaque no prato do brasileiro. De acordo com dados da Worldpanel by Numerator, o preço médio do produto subiu 18% no primeiro trimestre de 2025, mas isso não impediu o crescimento de 9% no volume consumido.
A proteína chegou a 93% dos lares, um aumento de 5,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior, consolidando-a como a principal fonte de proteína do país.
Consumo de carne bovina cresce mesmo com preço em alta
Presente em 29% das ocasiões de consumo, a carne bovina responde por um terço do gasto total com proteínas e, quando incluída na cesta de compras, eleva em quase nove pontos percentuais o valor desembolsado, demonstrando sua relevância econômica.
O comportamento do consumidor revela ajustes diante do cenário de renda mais apertada. Cortes premium sem marca, como o bife, concentram 35% do volume, enquanto opções mais acessíveis e com marca, como a carne moída, representam 16%. Entre os cortes mais populares estão o acém, com 6%, e a alcatra, com 2%.
A escolha também varia ao longo do mês: no início prevalecem cubinhos e peças inteiras sem marca; no meio, cresce a procura pela carne moída de marca; e, no fim, dominam os cortes sem marca, numa tentativa de manter a presença da proteína bovina no cardápio mesmo com orçamento mais restrito.
Diferença entre classes sociais e regiões
Nas classes AB, que respondem por 29% do volume total consumido, há uma tendência de diversificação no início do mês, com maior presença de frangos, suínos, linguiças e salsichas.
O estudo ainda aponta uma mudança de motivação: “saciar a fome” voltou a ser o principal fator associado ao consumo de proteínas, reforçando o papel funcional das refeições.
Na distribuição, o e-commerce ganha espaço e já chega a 6% dos lares, com bovinos presentes em quase um terço dessas compras.
O açougue, por sua vez, perde fôlego: embora ainda mais relevante para carnes bovinas do que outros canais, registrou queda de 6% no volume e uma penetração de 15%.
Nesse ambiente, predominam os cortes sem marca, que representam 96% das vendas, principalmente entre lares de três a quatro pessoas, com moradores acima de 50 anos, das classes AB, nas regiões Norte e Nordeste.
Fonte: Kantar