quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Brasil mantém liderança mundial na reciclagem de latas em 2024

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O Brasil reafirmou sua posição de líder global na reciclagem de latas de alumínio para bebidas, atingindo 97,3% de reaproveitamento em 2024, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e da Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas).

No total, foram 417,7 mil toneladas recicladas, o equivalente a 33,9 bilhões de latas recolocadas no mercado.

O resultado marca 16 anos consecutivos com índices acima de 95% e consolida o país como referência mundial em economia circular. O sucesso do modelo brasileiro combina valor econômico, logística eficiente, inclusão social e regulação eficaz.

Um dos fatores decisivos é a alta cotação internacional do alumínio, que torna a coleta financeiramente atrativa para toda a cadeia — de grandes operadores a cooperativas e catadores.

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Além disso, o material pode ser reciclado infinitas vezes, com perda mínima de qualidade e consumo de até 95% menos energia em relação à produção a partir do metal primário.

A indústria brasileira também investiu, desde os anos 1990, em infraestrutura própria de coleta e capacidade de processamento, garantindo que 100% da sucata gerada seja reaproveitada.

Atualmente, o país conta com 25 fábricas de latas, centros de coleta espalhados por todas as regiões e uma rede de cooperativas integradas, gerando emprego e renda para milhares de famílias.

Nos últimos dez anos, a reciclagem de alumínio no Brasil evitou a emissão de mais de 18 milhões de toneladas de gases de efeito estufa e poupou a extração de 17 milhões de toneladas de bauxita, demonstrando seu impacto direto na redução da pegada de carbono.

Ameaça externa ao modelo

Apesar dos bons números, especialistas apontam riscos. A disputa global por sucata e a guerra tarifária vêm pressionando o mercado.

Intermediários internacionais aproveitam a alta demanda por materiais de baixo carbono, adquirindo insumos brasileiros para revendê-los como produtos industrializados, o que pode fragilizar a indústria nacional e impactar a geração de empregos e renda.

Crise na reciclagem de PET

Enquanto o alumínio segue como exemplo mundial, a cadeia do PET reciclado enfrenta dificuldades. Nos últimos 12 meses, o preço da sucata de PET disparou 37%, enquanto a resina virgem teve aumento de apenas 8%.

Essa diferença tornou o material reciclado menos competitivo, principalmente para aplicações de maior valor agregado, como embalagens alimentícias e de bebidas.

A pressão sobre custos reduziu a rentabilidade dos recicladores e afetou diretamente catadores e cooperativas, responsáveis pela base da logística reversa no país.

Especialistas defendem a necessidade de políticas públicas mais robustas, como a exigência de conteúdo reciclado em novas embalagens e o incentivo a compras públicas e privadas de resina reciclada, para que o setor consiga se recuperar.

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