quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Brasil só tem conseguido interceptar 3% da droga que entra pela Rota do Solimões

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Policial armado transporta fardos de droga apreendidos em uma embarcação pelos rios da Amazônia

Estimativas apontam que apenas 2% a 3% da cocaína enviada do Peru e da Colômbia para o Brasil é apreendida na Rota do Solimões, área de forte atuação do Comando Vermelho. A rota atravessa a tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, onde não há postos de fiscalização permanentes.

O dado, calculado a partir de imagens de satélites que monitoram áreas de cultivo de coca nos países vizinhos, foi apresentado por Cesar Mello, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), durante o encontro do Fórum realizado em Manaus.

Segundo ele, a produção total atinge milhares de toneladas, mas as apreensões ficam abaixo de uma centena.

Em sua fala, ele destacou que na região de Tabatinga (AM), a Polícia Militar do Amazonas mantém 156 agentes, enquanto as Forças Armadas concentram cerca de mil militares sem atuação contínua no patrulhamento fluvial. Pequenas embarcações circulam entre Tabatinga, Letícia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru) sem controle de fronteira.

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O tráfico utiliza diferentes estratégias para escoar a droga. Os pagamentos aos fornecedores são feitos de forma antecipada e cargas são escoltadas mediante cobrança de “pedágios” em trechos dos rios. Embarcações transportam drogas de Tabatinga até Manaus e, em seguida, para Belém e Macapá, de onde a carga segue para a Europa.

A tarefa de realizar o policiamento no Alto Solimões carrega dimensões típicas da Amazônia. Apenas com o Peru, a fronteira alcança 1.430 km; com a Colômbia, são mais 1.644 km.

Para efeito de comparação, o limite entre Estados Unidos e México possui 3.145 km. “Lá, é uma fronteira seca, vigiada, com muro em boa parte de sua extensão. Ainda assim, o tráfico de drogas consegue atravessar”, observa o major da PM Diego Magalhães, subsecretário de Operações.

A dinâmica do tráfico na região acompanha diretamente o ciclo das águas. \

Durante o período de cheia, quando os rios atingem níveis mais altos, os criminosos priorizam embarcações e utilizam passagens estreitas conhecidas como furos para facilitar o escoamento.

Já na seca, embora alguns insistam nas rotas fluviais, é por via aérea que a cocaína avança com maior frequência.

Tráfico de drogas e homicídios

Segundo o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Marcus Vinícius Oliveira de Almeida, 80% dos homicídios registrados em Manaus têm ligação com o tráfico.

Ele afirmou que mantém diálogo com o governo federal para ampliar a presença das Forças Armadas na região e destacou que o Estado aumentou as apreensões de 9 toneladas em 2018 para 43 toneladas em 2024.

A fronteira amazônica soma 1.430 km com o Peru e 1.644 km com a Colômbia. O major da PM Diego Magalhães, subsecretário de Operações, explicou que o transporte da droga varia conforme o regime dos rios: na cheia, prevalece a rota fluvial; na seca, cresce o uso de aviões e helicópteros. Relatórios de inteligência apontam mais de 200 pistas clandestinas no Amazonas.

O Comando Vermelho mantém hegemonia na Rota do Solimões após a dissolução da Família do Norte e disputa com o PCC, que atua principalmente em Roraima. Pichações com símbolos da facção carioca são vistas inclusive em Letícia, na Colômbia.

O governo federal lançou em 2023 o Programa Amazônia, Segurança e Soberania (Amas), com previsão de R$ 2 bilhões em investimentos. Também criou em Manaus o Centro de Cooperação Internacional da Polícia Federal (CCPI), que reúne autoridades brasileiras e de países vizinhos para estratégias conjuntas de combate ao crime.

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