quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Senhas fracas, engenharia social e IA: como o crime digital se espalha no Brasil

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Como o crime digital se espalha no Brasil

A cada oito segundos, um brasileiro vira alvo de um golpe digital. Clonagem de cartões, fraudes por WhatsApp, sites falsos, engenharia social, vazamentos de dados: tudo isso já faz parte do cotidiano digital no país.

O alerta é do advogado e colunista da Folha de S. Paulo, Ronaldo Lemos. Segundo ele, o Brasil virou um verdadeiro “paraíso dos golpes digitais” — e a sensação de normalidade diante disso é tão perigosa quanto os próprios crimes.

No artigo publicado recentemente, Lemos afirma que nem mesmo o Sistema de Pagamentos Brasileiro escapou de ataques cibernéticos. O episódio, pouco repercutido na imprensa, mostra o quanto o tema ainda é tratado com superficialidade no debate público.

Enquanto não há uma política de segurança mais robusta e abrangente, a melhor defesa ainda é a higiene digital: práticas mínimas, mas consistentes, que reduzem o risco de se tornar vítima.

Senhas fracas são convite a golpistas

A senha mais usada no Brasil ainda é “123456”. A segunda, “123456789”. Em terceiro lugar, a palavra “brasil”. Essas combinações são fáceis de memorizar — e também fáceis de serem quebradas por qualquer ataque automatizado.

Uma regra básica de proteção é nunca usar a mesma senha em todos os serviços e, de preferência, contar com um gerenciador de senhas confiável, que armazena e preenche automaticamente as credenciais.

Além disso, o uso de autenticação de dois ou mais fatores é indispensável.

Evite SMS, que hoje é considerado um meio inseguro, pois pode ser alvo de fraudes com portabilidade de número. Aplicativos autenticadores (como o Microsoft Authenticator) ou chaves físicas de segurança (como YubiKeys) são opções mais seguras.

E-mails, whatsApp e telefonemas: a engenharia do engano

Golpes sofisticados usam engenharia social para enganar as vítimas. E-mails falsos de bancos, mensagens de “entrega” falsas ou notificações de redes sociais que pedem para clicar em links — tudo isso pode ser apenas o início de uma fraude maior. A regra é clara: não clique em links, mesmo que pareçam legítimos.

No WhatsApp, além de ativar o PIN de seis dígitos, o ideal é restringir a visualização da foto de perfil apenas para contatos e desconfiar sempre de mensagens que pedem transferências urgentes, mesmo que enviadas por amigos ou parentes.

Outro golpe comum é o da “falsa central telefônica”, no qual criminosos conseguem simular o número do seu banco e convencem a vítima a fornecer dados ou instalar aplicativos espiões. Um problema recorrente que, segundo Ronaldo Lemos, deveria ser enfrentado com mais rigor pela Anatel.

Ferramentas úteis e alertas finais

Para aumentar a segurança, é recomendável acessar o sistema Registrato do Banco Central, onde é possível checar se há contas, empréstimos ou operações de câmbio registrados no seu CPF. Outra dica é cadastrar o número no site www.naomeperturbe.com.br, que reduz chamadas de telemarketing indesejadas.

Com os dados pessoais de milhões de brasileiros já vazados na internet, negligenciar a segurança digital deixou de ser uma escolha. Golpes digitais não são exceção — são regra. E o crime organizado tem expandido sua atuação no ambiente virtual com o uso crescente de inteligência artificial, tanto para aplicar fraudes quanto para se proteger delas.

Como resume Lemos: “Já era — achar que golpes digitais não vão acontecer com você. Já é — crime organizado expandindo sua atuação digital. Já vem — uso de IA tanto para golpes como para prevenção.”

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