Viajar aos Estados Unidos, seja a negócios ou a lazer, pode ficar muito mais caro em breve. O governo norte-americano anunciou nesta segunda-feira (4/8) um novo programa piloto que exige caução de até US$ 15 mil — cerca de R$ 82 mil — para concessão de vistos do tipo B-1 (negócios) e B-2 (turismo e tratamento médico) para cidadãos de países com alta taxa de permanência ilegal.
A nova exigência entra em vigor em 20 de agosto e poderá durar até 12 meses, com possibilidade de prorrogação.
A caução será determinada caso a caso pelos agentes consulares, podendo variar entre US$ 5 mil, US$ 10 mil e US$ 15 mil.
Segundo o Departamento de Estado, a lista de países afetados será divulgada com 15 dias de antecedência e poderá ser atualizada ao longo do programa.
📲 Participe do canal do RealTime1 no Instagram
A justificativa oficial é conter a entrada de estrangeiros que permanecem nos EUA além do tempo permitido pelo visto. Mas, na prática, a medida impõe uma barreira pesada — e seletiva — para quem deseja visitar o país, especialmente moradores de nações com sistemas de verificação considerados “deficientes” pelas autoridades americanas.
Nova política de vistos dos EUA
Essa não é a primeira vez que os EUA tentam implementar essa política. Em 2020, o então presidente Donald Trump propôs a mesma medida para 24 países — entre eles Afeganistão, Angola, Irã, Síria e Guiné-Bissau.
À época, a ideia foi engavetada por conta da pandemia. Agora, sob o mesmo presidente, a proposta ressurge com novo fôlego, sob o guarda-chuva da ordem executiva “Protegendo o Povo Americano Contra a Invasão”.
A contradição, no entanto, salta aos olhos. Enquanto o governo impõe restrições financeiras para viajantes comuns, lança também um programa que praticamente vende cidadania para milionários estrangeiros.
Batizado de Gold Card, o novo visto exige investimento de US$ 5 milhões (cerca de R$ 30 milhões) e promete mais benefícios do que o tradicional Green Card. O próprio Trump afirma que a ideia é atrair pessoas ricas e empresas dispostas a investir nos Estados Unidos.
Em outras palavras, quem não tem muito dinheiro pagará caro para tentar entrar, enquanto quem tem muito dinheiro será bem-vindo — e com tapete vermelho.
A medida coloca em xeque o discurso de segurança nacional e reforça o argumento de que o acesso aos EUA está cada vez mais regulado por critérios econômicos.
Resta saber se o Brasil estará ou não entre os países da lista. E, principalmente, se o “sonho americano” seguirá acessível para todos — ou apenas para os mais ricos.
Leia Mais: