O Instituto Escolhas, em seu novo estudo, propôs uma estratégia inovadora para a restauração florestal em Terras Indígenas (TIs) no Brasil, com foco na recuperação de áreas desmatadas, geração de alimentos e aumento da renda para os povos indígenas.
O estudo mostra que existem atualmente 2,4 milhões de hectares desmatados nas TIs, com a maioria dessas áreas no Amazonas, onde o potencial de regeneração natural é significativamente alto.
De acordo com os dados do estudo, as Terras Indígenas no Brasil ocupam uma vasta área de 118,6 milhões de hectares, o que representa uma das maiores concentrações de florestas preservadas do país.
O relatório destaca que os limites das Terras Indígenas abrangem 634 territórios, incluindo uma grande área de 9.561.239 ha pertencente aos Yanomamis, um povo indígena que habita a região do Amazonas e Roraima.
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“Os limites das Terras Indígenas de acordo com a base de dados espaciais disponibilizada pela FUNAI englobam 634 territórios, os quais totalizam 118.627.877 ha, com variação de 9,9 ha a 9.561.239 ha, pertencentes respectivamente aos Karajá de Aruanã I, no estado de Goiás, e aos Yanomamis, no Amazonas e em Roraima.” (Instituto Escolhas, 2024)
Potencial de regeneração natural nas TIs do Amazonas
O estudo também mostrou que, embora as TIs representem áreas protegidas por lei, muitas delas ainda enfrentam invasões e degradação, com a destruição de florestas que foram preservadas por séculos pelos povos originários. Porém, o Amazonas, com suas vastas áreas de florestas, se destaca pelo alto potencial de regeneração natural da vegetação.
O que significa que essas áreas podem se recuperar de forma espontânea, sem a necessidade de grandes investimentos financeiros. Isso representa uma oportunidade significativa para a recuperação ambiental em um dos maiores biomas do planeta.
De acordo com o Instituto Escolhas, a estratégia de restauração pode ser dividida em duas abordagens principais: regeneração natural e sistemas agroflorestais.
Para as áreas com alto potencial de regeneração, estima-se que cerca de 1,1 milhão de hectares possam se recuperar com mínimo ou nenhum custo.
Já para as áreas restantes, que não têm tanta capacidade de regeneração natural, a solução é implementar sistemas agroflorestais, que combinam a recuperação da vegetação com a produção de alimentos e geração de renda para as comunidades indígenas.
Benefícios econômicos da restauração
A pesquisa também revelou o potencial econômico da restauração das TIs. O estudo apontou que a implementação de sistemas agroflorestais em 1,3 milhão de hectares demandaria um investimento de R$ 27,7 bilhões, mas esse valor geraria uma receita líquida de R$ 153,3 bilhões, ou seja, um retorno cinco vezes maior sobre o investimento inicial.
Além disso, a produção de alimentos pode alcançar 317,8 milhões de toneladas ao longo de 30 anos, com predominância de espécies perenes, como frutas e sementes.
Além dos benefícios econômicos, a restauração das TIs também traz um grande impacto ambiental. O estudo estima que, se toda a área disponível para recuperação for implementada, cerca de 798,8 milhões de toneladas de CO2 seriam removidas da atmosfera ao longo de 30 anos.
Esse processo de captura de carbono ajudaria a combater as mudanças climáticas e a preservar a biodiversidade na região.
Desafios e compromissos para a implementação
Apesar do enorme potencial de regeneração e recuperação das TIs, o estudo destaca que o sucesso dessa estratégia depende da ação coordenada entre os povos indígenas, o governo federal e a gestão pública. Como ressaltou Sérgio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas:
“É fundamental reconhecer que já existem diversas iniciativas bem-sucedidas em recuperar o que foi desmatado nas TIs, mas somente com a ação e o compromisso da gestão pública e do governo federal a restauração vai acontecer com a escala e a velocidade necessárias em todo o país.”
O estudo do Instituto Escolhas propõe uma solução viável e econômica para a recuperação de áreas desmatadas nas Terras Indígenas, com destaque para o Amazonas, que possui um grande potencial para regeneração natural.
Além de restaurar a vegetação, a implementação de sistemas agroflorestais pode trazer benefícios econômicos diretos para as comunidades indígenas, ao mesmo tempo em que contribui para a luta contra as mudanças climáticas.
No entanto, para que esses projetos sejam implementados em larga escala, é essencial o apoio contínuo e o compromisso das esferas governamentais.
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