quarta-feira, 23 de setembro de 2026

FCecon já soma 80 pesquisas oncológicas e 65 delas têm apoio direto da Fapeam e Paic

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FCecon bactéria
Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas. (Foto: Divulgação)

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) atua hoje como um dos principais polos de pesquisa científica em oncologia da Região Norte.

Em 2025, a instituição contabiliza 80 estudos sobre câncer em andamento, dos quais 65 estão vinculados ao Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A produção integra alunos de graduação, servidores, mestres e doutores em uma estratégia voltada à geração de conhecimento aplicado à realidade local.

O quadro da FCecon reúne atualmente 63 pesquisadores em atividade, sendo 45 servidores da casa. Além deles, 65 estudantes de graduação desenvolvem pesquisas sob orientação de profissionais da instituição, e outros pesquisadores vinculados a instituições externas colaboram nos projetos.

Segundo a coordenadora do Paic, Valquíria Martins, os estudos abrangem temas variados, com foco nos tipos de câncer mais incidentes no Amazonas.

“As pesquisas na área de Oncologia têm como objetivo fomentar a produção de conhecimento voltado à prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação do câncer, promovendo a integração entre ciência, inovação e cuidado em saúde, além de apoiar a formação de pesquisadores e parcerias institucionais”, destacou.

Mestrado, doutorado e foco nos principais tumores

A FCecon também acompanha cinco projetos de mestrado e dez de doutorado com foco em oncologia. Entre eles, estão os primeiros pesquisadores da região vinculados ao Doutorado Interinstitucional (Dinter) em parceria com o A.C. Camargo Cancer Center, iniciado em 2023.

Os estudos abordam temas relacionados a câncer do colo do útero, mama, próstata e colorretal, além de tópicos sobre prevenção, diagnóstico precoce, qualidade de vida e aspectos epidemiológicos da região.

Vigilância ativa em câncer de próstata

Um dos destaques é a participação da FCecon no projeto nacional de vigilância ativa em câncer de próstata, conduzido pelo Ministério da Saúde por meio do Programa Proadi-SUS.

A iniciativa, coordenada nacionalmente pelo Hospital Moinhos de Vento (RS), reúne 20 centros oncológicos do país, com o objetivo de elaborar um protocolo clínico unificado para monitoramento de casos de baixo risco.

No Amazonas, o estudo acompanha 50 pacientes com câncer de próstata localizado, avaliados por meio de PSA, toque retal semestral e biópsia anual.

Segundo o médico urologista Giuseppe Figliuolo, que coordena o estudo na FCecon, “cerca de 30% a 40% dos pacientes com câncer de próstata localizado não precisam realizar de imediato cirurgia, radioterapia e/ou hormonioterapia”.

O acompanhamento contínuo permite avaliar a progressão da doença e definir o momento ideal para intervenção, caso necessário.

Pesquisa com impacto direto na saúde pública

Para o diretor-presidente da FCecon, Gerson Mourão, a pesquisa científica tem impacto direto no planejamento do SUS no Amazonas.

“A participação da FCecon em pesquisas nacionais, como a de vigilância ativa no câncer de próstata, permite evidenciar as particularidades regionais da população do Norte, contribuindo para a formulação de protocolos clínicos mais adequados à realidade local. Isso impacta diretamente o diagnóstico e o tratamento, fortalecendo o SUS ao promover ações mais eficazes, equitativas e baseadas em evidências científicas regionais”, afirmou.

Mourão acrescenta que a produção científica da fundação fortalece a própria gestão hospitalar:

“A pesquisa científica em oncologia fortalece a gestão da FCecon ao fornecer dados qualificados para a tomada de decisões, subsidiando a definição de prioridades e o aprimoramento de protocolos assistenciais. Além disso, contribui para a melhoria do atendimento na rede estadual de saúde ao considerar as particularidades epidemiológicas, geográficas e socioculturais do Amazonas, permitindo estratégias mais adequadas à realidade local e mais eficazes para a população.”

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