quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Próxima parada, Belém: Bonn testa os limites da diplomacia climática rumo à COP30

COMPARTILHE
Propaganda da COP30 no saguão de embarque do Aeroporto Internacional de Belém / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Conferência de Bonn, conhecida como pré-COP, foi considerada como um teste para a presidência brasileira da COP30, embora tenha sido conduzida pelos coordenadores dos órgãos subsidiários da Convenção do Clima da ONU: o SBSTA (Aconselhamento Científico e Tecnológico) e o SBI (Implementação). Ou seja, apesar de não ser o anfitrião oficial da conferência, o Brasil está sob os holofotes.

O Brasil já sediou eventos multilaterais de grande porte, como a Rio 92, nos quais conseguiu facilitar avanços internacionais.

Atualmente, a retomada de protagonismo na agenda ambiental pelo governo Lula, com atuação das ministras Marina Silva e Sonia Guajajara, além da experiência diplomática do embaixador André Corrêa do Lago, compõem um cenário de projeção internacional.

A COP30 ocorrerá no ano em que o Acordo de Paris completa 10 anos e após os resultados considerados insuficientes da COP28, em Baku, no Azerbaijão.

A ausência dos Estados Unidos da conferência, após sua retirada da lista de signatários do acordo e o desânimo dos países em desenvolvimento com o multilateralismo se intensificaram, principalmente porque a meta de financiamento climático ficou US$ 1 trilhão abaixo do montante reivindicado (US$ 1,3 trilhão).

Os países desenvolvidos indicaram que não têm condições de ampliar os recursos destinados ao financiamento climático, apesar do aumento dos gastos militares em decorrência de conflitos como o de Israel contra Palestina e Irã.

Estrutura de governança

A Conferência de Bonn também marcou a apresentação da estrutura de governança da presidência brasileira da COP30, que já havia publicado três cartas em março e maio.

A delegação brasileira estabeleceu como prioridades nas negociações os temas de transição justa, metas globais de adaptação e o diálogo sobre o balanço global.

O lema apresentado foi o de um “mutirão contra a mudança do clima”, defendendo cooperação internacional como caminho para o progresso.

O início da conferência foi marcado pela manifestação do grupo LMDC (Like-minded Developing Countries), formado por Bolívia, Índia, Arábia Saudita, China e outros, que reivindicou a retomada das negociações sobre financiamento climático.

O movimento ficou conhecido nos bastidores da conferência como “ressaca de Baku”, indicando que o impasse não foi superado e que a presidência brasileira da COP30 terá que lidar diretamente com essa pauta para evitar o colapso das negociações.

COMPARTILHE