O Fórum das Águas do Amazonas reunirá mais de 20 organizações da sociedade civil durante o “II Seminário do Fórum das Águas intitulado Cidades Amazônicas X Mudanças Climáticas: o que os amazônidas podem fazer?”. O seminário acontece nesta quarta-feira (25/06), das 14h às 18h, no Centro de Formação da Arquidiocese de Manaus (Cefam), situado na Avenida Joaquim Nabuco, nº 1023.
O evento é de grande relevância e busca discutir as implicações das mudanças climáticas nas cidades localizadas na região amazônica. A programação do evento irá trazer palestras e mesas redondas, seguidas de trabalhos em grupos. As confirmações de presença podem ser feitas por meio do formulário de inscrição.
A cerimônia contará com a presença da professora e pesquisadora em recursos hídricos e saneamento ambiental, Adorea Albuquerque, da professora de saberes indígenas, Clarice Tukano e a doutoranda em informática, Gilmara Santos para debater estratégias e ações que os habitantes da Amazônia podem adotar para mitigar os efeitos das alterações climáticas em suas comunidades.
“O seminário é um espaço de reflexão e diálogo sobre os desafios que as cidades amazônicas enfrentam diante das mudanças climáticas e o papel dos povos amazônidas na construção de soluções sustentáveis“, afirma a organização do evento.
O Fórum foi fundado em março de 2012, como espaço de discussão e proposição de políticas públicas voltadas para a promoção e defesa dos direitos humanos à água e ao saneamento. O coletivo é formado por mais de 20 organizações da sociedade civil, que se reúnem desde a sua fundação para debater e responder a dramática experiência da concessão privada dos serviços de água e esgoto da cidade de Manaus, que foi iniciada no ano 2000.
Entre os principais objetivos do seminário estão a sensibilização e a educação sobre os efeitos das mudanças climáticas, compartilhar conhecimentos, estimular o engajamento comunitário e refletir sobre o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à adaptação e à resiliência.
A proposta é contribuir para a melhoria das condições de vida das populações em situação de vulnerabilidade, reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos e fortalecer a autonomia e a organização política dessas comunidades na defesa de direitos, especialmente no acesso à água e ao bem viver nos territórios de Manaus.
As mudanças climáticas afetam as condições de vida da população
As mudanças climáticas, intensificadas pelo aquecimento global, agravam os impactos sobre os sistemas hídricos da Amazônia. Entre as principais consequências está a redução dos reservatórios hídricos, resultado direto de secas severas e prolongadas que afetam o abastecimento de água e as condições de vida nas cidades amazônicas.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o estado do Amazonas tem apresentado aumento da temperatura média e variações extremas na distribuição das chuvas, com atraso no início do período chuvoso e maior frequência de longos períodos secos e ondas de calor.
A seca histórica de 2023 é um exemplo desse fenômeno. O nível do Rio Negro, em Manaus, atingiu 14,75 metros, o menor registrado desde o início da série histórica em 1902, conforme dados do Porto de Manaus. Essa estiagem afetou diretamente o transporte fluvial, o abastecimento de comunidades ribeirinhas e a fauna aquática da região. Atualmente, o nível do Rio Negro está em 28,97 metros, segundo dados do Porto de Manaus atualizados nesta terça-feira, 24 de junho de 2025.
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que, entre junho e agosto de 2025, as chuvas na Amazônia ficaram abaixo da média histórica, especialmente na porção centro-norte. Para o mês de junho, o Inmet indica chuvas acima da média nas áreas norte e leste do Nordeste, no Rio Grande do Sul e no norte da Região Norte.
A alternância entre cheias e secas extremas reforça os desafios enfrentados pela população e o papel dos seminários como o promovido pelo Fórum das Águas do Amazonas, que busca refletir sobre estratégias de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas.
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