quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Usuários de ChatGPT têm menor nível de engajamento cerebral, aponta estudo

COMPARTILHE

Um estudo conduzido por pesquisadores do Media Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, revelou que usuários do ChatGPT apresentam “menor nível de engajamento cerebral” e desempenho inferior em níveis neural, linguístico e comportamental. A pesquisa alerta para o impacto cognitivo do uso de chatbots de inteligência artificial.

A pesquisa, liderada por Nataliya Kosmyna, cientista do Media Lab, observou 54 participantes entre 18 e 39 anos, divididos em três grupos. Cada grupo foi responsável por escrever uma redação de 20 minutos no estilo do SAT, o exame de vestibular dos Estados Unidos. O primeiro grupo usou o ChatGPT, o segundo utilizou o mecanismo de busca do Google, e o terceiro grupo escreveu sem nenhum auxílio tecnológico. Os cientistas monitoraram a atividade cerebral dos voluntários por meio de eletroencefalogramas.

Os resultados mostraram que os participantes que usaram o ChatGPT apresentaram o menor engajamento cerebral, baixo controle executivo e pouco engajamento atencional, além dos piores desempenhos nos níveis neural, linguístico e comportamental. O estudo indicou também que os textos produzidos por esse grupo eram semelhantes, com falta de originalidade e baseados nas mesmas expressões e ideias.

Impactos do uso excessivo de IA no cérebro

Os pesquisadores destacaram que o uso excessivo de ferramentas de IA como o ChatGPT pode reduzir a capacidade crítica e criativa dos usuários, levando a um “custo cognitivo”. A conveniência da IA diminui a inclinação dos usuários para avaliar criticamente os resultados e as “opiniões” das plataformas, enfraquecendo a capacidade de pensamento analítico e reflexão.

Kosmyna alertou para os riscos dessa dependência tecnológica, especialmente para as gerações mais jovens. “Cérebros em desenvolvimento estão sob o maior risco”, disse a pesquisadora. “É essencial educar sobre como usar essas ferramentas e promover a ideia de que o cérebro precisa se desenvolver de forma mais analógica”.

Consequências a longo prazo

O estudo também apontou que os participantes do grupo que escreveu sem auxílio tecnológico demonstraram maior conectividade neural, especialmente nas bandas alfa, teta e delta, associadas à criatividade, memória e processamento semântico. Esses voluntários se mostraram mais engajados, curiosos e satisfeitos com seus próprios textos.

O psiquiatra Zishan Khan, que atende jovens, também reforça os riscos psicológicos e cognitivos do uso excessivo de IA. Ele alerta que essa dependência pode enfraquecer as conexões neurais essenciais para acessar informações, lembrar fatos e desenvolver resiliência.

Leia Mais:

COMPARTILHE