quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Conta de luz vai pesar mais no bolso com nova lei; impacto será de R$ 197 bi até 2050

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Amazonas Energia
Foto: Divulgação/Amazonas Energia

A conta de luz dos brasileiros vai subir. Com a derrubada dos vetos à Lei das Eólicas Offshore, o Congresso Nacional autorizou a ampliação de subsídios no setor elétrico, o que deve gerar impacto direto no bolso do consumidor: até 2050, o custo adicional será de R$ 197 bilhões, segundo a Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE).

O Congresso Nacional derrubou vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a dispositivos da Lei das Eólicas Offshore.

A decisão libera novos subsídios ao setor elétrico, e o impacto será pago pelo consumidor. Estimativas da FNCE (Frente Nacional dos Consumidores de Energia) apontam que o efeito prático será um aumento médio de 3,5% na conta de luz, acumulando R$ 197 bilhões em encargos até 2050.

O custo será arcado principalmente pelos consumidores cativos, aqueles atendidos pelas distribuidoras, que já pagam, além da energia consumida, tarifas de transmissão, encargos setoriais, impostos estaduais e federais, além de taxas municipais como a Cosip (iluminação pública).

Mais encargos, menos transparência

Desde o apagão de 2001, os encargos setoriais vêm se multiplicando. Criada naquele contexto, a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) passou a concentrar os principais subsídios, como a tarifa social e os incentivos a fontes renováveis.

Mas o consumidor nem sempre vê o que paga. Esses custos não aparecem discriminados na fatura, mas estão embutidos no valor total da energia.

“Tudo isso vem de regulamentações legais. Hoje, tem a medida provisória 1.300, que tenta retirar os subsídios em excesso. Temos que efetivamente olhar para todos, para o conjunto, porque a energia elétrica é um bem comum, todos nós somos donos”, afirmou Ricardo Vidinich, consultor do Conacen, que integra a FNCE.

Para Marco Madureira, presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), o modelo atual compromete a competitividade do país.

“Achamos que qualquer subsídio traz um mal para o setor e para a sociedade como um todo”, disse.

Como é composta a conta de luz

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a tarifa de energia elétrica é composta por três blocos:

  1. Geração, transmissão e distribuição
  2. Tributos (ICMS, PIS e Cofins)
  3. Encargos setoriais

Abaixo, a média percentual que cada item representa na tarifa:

  • Energia: 30,41%
  • Distribuição: 26,12%
  • Transmissão: 10,10%
  • Encargos setoriais: 15,23%
  • Impostos: 18,14%

Segundo a Enel, de cada R$ 100 pagos na conta de luz em São Paulo, apenas R$ 22,70 ficam com a distribuidora. O restante vai para usinas, tributos e encargos federais.

O que pode ser cobrado na fatura?

A maioria das contas de luz traz itens como:

  • TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição)
  • TE (Tarifa de Energia)
  • Bandeira tarifária
  • Cosip (iluminação pública)
  • ICMS (18% sobre a base total)
  • PIS/Pasep (0,84%) e Cofins (3,88%)
  • Juros, multa e correção por atraso
  • Doações voluntárias a entidades assistenciais

Encargos embutidos e pouco visíveis:

  • CDE: tarifa social, subsídios a renováveis, operação da Aneel e ONS
  • Proinfa: expansão por fontes renováveis (R$ 6,1 bilhões em 2025)
  • TFSEE: taxa para atividades da Aneel
  • ONS: operação e planejamento do sistema elétrico nacional
  • ESS: emergências e operação do sistema
  • Bandeiras tarifárias: cobrança variável conforme a situação dos reservatórios

Quanto custa cada bandeira?

  • Verde: sem acréscimo
  • Amarela: R$ 0,01885 por kWh
  • Vermelha patamar 1: R$ 0,04463 por kWh
  • Vermelha patamar 2: R$ 0,07877 por kWh

As bandeiras foram criadas para repassar mensalmente o custo real da geração de energia ao consumidor, especialmente em períodos de seca e acionamento de termelétricas.

*Com informações da Folha de São Paulo

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