O Brasil ainda enfrenta um dos seus maiores desafios educacionais: garantir que os jovens concluam o ensino médio. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), módulo Educação, divulgada pelo IBGE, 8,7 milhões de pessoas entre 14 e 29 anos abandonaram a escola antes de concluir essa etapa ou nunca a frequentaram.
Embora o número represente uma redução em relação aos anos anteriores, eram 9,3 milhões em 2023 e 11,4 milhões em 2019, a evasão permanece alta e concentrada nos grupos mais vulneráveis.
Entre os jovens que deixaram a escola, 42% apontaram a necessidade de trabalhar como principal motivo, percentual que sobe para 53,6% entre os homens. Entre as mulheres, os fatores mais mencionados foram trabalho (25,1%), gravidez (23,4%) e afazeres domésticos (9%).
Para o analista do IBGE, William Kratochwill, “esses resultados evidenciam que, além da condição econômica, as responsabilidades reprodutivas e domésticas ainda estão entre os principais entraves para a permanência das mulheres jovens na escola”.
Apesar da elevada evasão, a pesquisa também mostra que a escola pública continua sendo a principal via de acesso ao ensino superior no país.
Em 2024, 72,6% dos brasileiros que frequentaram um curso de graduação cursaram o ensino médio exclusivamente na rede pública. Entre os que chegaram à pós-graduação, 59,3% também vieram do ensino médio público.
“Embora exames internacionais evidenciem a necessidade de melhoras no ensino público, esse resultado é um sinal claro de que os alunos da rede pública têm chances reais de acesso à educação de nível superior”, destacou Kratochwill.
Atraso escolar permanece e metas do PNE não são alcançadas
A taxa de frequência de jovens de 15 a 17 anos no ensino médio, etapa adequada para essa faixa etária, foi de 76,7% em 2024, abaixo da meta de 85% estabelecida no Plano Nacional de Educação (PNE).
No ensino fundamental, a proporção de crianças de 6 a 14 anos cursando a etapa ideal foi de 94,5%, também abaixo da meta de 95%.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, apenas 27,1% estavam matriculados no ensino superior, abaixo da meta de 33% estipulada pela meta 12 do PNE. O índice foi ainda mais baixo entre pretos ou pardos (20,6%), enquanto entre brancos foi de 37,4%.
Escolaridade cresce, mas desigualdades persistem
A média de anos de estudo da população com 25 anos ou mais chegou a 10,1 anos em 2024, maior nível da série histórica.
Entre as mulheres, a média foi de 10,3 anos, e entre os homens, 9,9. Pessoas brancas alcançaram média de 11 anos, enquanto pretos ou pardos registraram 9,4 anos.
A taxa de conclusão da educação básica obrigatória (ensino médio completo ou superior) foi de 56%, também a maior da série. No entanto, a diferença racial permanece: 63,4% das pessoas brancas atingiram esse nível, frente a 50% das pessoas pretas ou pardas.
Analfabetismo em queda, mas concentrado nos mais velhos
A taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu para 5,3% em 2024, o equivalente a 9,1 milhões de pessoas, a menor da série iniciada em 2016. Ainda assim, a desigualdade regional e etária persiste. O Nordeste concentra 55,6% dos analfabetos, e a taxa entre idosos (60+) é de 14,9%. Entre pretos ou pardos com 60 anos ou mais, a taxa chega a 21,8%.
Ensino técnico e qualificação crescem
Entre os 9 milhões de estudantes do ensino médio em 2024, 832 mil cursavam o ensino técnico, o que representa crescimento de 28,8% em relação a 2019.
O avanço foi maior entre as mulheres (31,9%), mas também significativo entre os homens (25,6%).
Já os cursos de qualificação profissional foram frequentados por 569 mil pessoas com 14 anos ou mais, alta de 8,8% em relação a 2023. A maior parte dos cursos foi realizada em instituições privadas (47,4%) e nos Serviços Nacionais de Aprendizagem (21,4%).
O percentual de jovens entre 15 e 29 anos que não estudavam, não estavam empregados e não se qualificavam chegou a 18,5% em 2024. O índice é mais alto entre mulheres (24,7%) e entre pessoas pretas ou pardas (21,1%). Entre os brancos, foi de 14,4%.
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