sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Câncer de pênis? Uma doença rara, mas que causa 585 amputações anuais no Brasil; entenda

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Anatomia do pênis: entender sua estrutura é fundamental para prevenir doenças como o câncer de pênis.

O câncer de pênis, embora raro, leva a 585 amputações de pênis por ano no Brasil. O motivo? Falta de higienização adequada, que contribui para o desenvolvimento da doença, além de infecção por HPV e outras condições como a fimose.

De acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), entre 2015 e 2024, o câncer de pênis causou mais de 4.500 mortes no Brasil e resultou em cerca 5.851 amputações de órgãos registradas, uma média de 580 por ano, além de 22.212 internações relacionadas à doença.

A condição é mais comum nas regiões Norte e Nordeste, onde a falta de acesso à saúde e o desconhecimento sobre a doença contribuem para o diagnóstico tardio.

Quando não tratada a tempo, a doença pode resultar em amputação do pênis, afetando a saúde física, emocional e sexual dos pacientes.

Causas e fatores de risco

O câncer de pênis está fortemente associado a alguns fatores de risco que podem ser prevenidos com simples hábitos de saúde. As principais causas incluem:

  1. Má higiene íntima: A falta de limpeza adequada da região genital pode favorecer o acúmulo de secreções e infecções, aumentando o risco do desenvolvimento de lesões malignas. A higiene diária com água e sabão é fundamental para evitar esse risco.
  2. Infecção pelo HPV (papilomavírus humano): Estudos científicos mostram que a infecção pelo HPV é um dos principais fatores associados ao câncer de pênis. O uso de preservativos durante as relações sexuais reduz significativamente a chance de infecção por esse vírus.
  3. Fimose: Homens que não se submeteram à circuncisão ou que apresentam fimose (estreitamento do prepúcio, a pele que cobre a glande do pênis) têm maior predisposição ao câncer de pênis. A remoção do prepúcio, por meio da circuncisão, facilita a higienização e reduz os riscos de câncer.

Sintomas e sinais de alerta

Os principais sinais de câncer de pênis incluem:

  • Feridas persistentes ou úlceras que não cicatrizam, especialmente na glande ou no corpo do pênis.
  • Tumores ou nódulos visíveis, que podem ser dolorosos ou indolores, dependendo do estágio da doença.
  • Secreção branca (esmegma), que é uma substância acumulada sob o prepúcio.
  • Mudanças na cor e espessamento da pele do pênis ou do prepúcio.

Além desses sintomas, o aparecimento de gânglios inguinais (ínguas na virilha) pode indicar que o câncer se espalhou para outras áreas do corpo, configurando metástase​.

Diagnóstico precoce: fundamental para o sucesso do tratamento

O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. A biópsia incisional, que retira um pequeno fragmento de tecido da lesão para análise, é o método principal de diagnóstico.

Quando a doença é detectada em estágios iniciais, o câncer de pênis tem uma taxa de cura de até 90%. No entanto, mais de metade dos pacientes demora até um ano após o aparecimento dos primeiros sintomas para buscar ajuda médica, o que pode permitir que a doença se espalhe e aumente o risco de complicações graves, incluindo a amputação do pênis​.

Como tratar?

O tratamento do câncer de pênis depende da extensão do tumor e de sua localização. As opções incluem:

  • Penectomia: remoção parcial ou total do pênis, dependendo da extensão do câncer.
  • Radioterapia e quimioterapia: indicadas para casos mais avançados ou para o tratamento de recidivas.
  • Linfadenectomia inguinal: remoção dos gânglios inguinais quando o câncer se espalhou para a região.

Nos estágios iniciais, a cirurgia pode ser suficiente, com altas taxas de cura. Nos casos mais graves, onde há metástase para os gânglios inguinais, a combinação de tratamentos pode ser necessária para aumentar as chances de controle da doença​.

Prevenção: hábitos simples, mas eficazes

A prevenção do câncer de pênis pode ser alcançada com cuidados simples de higiene e práticas de saúde:

  1. Higiene diária: Lavar a região genital com água e sabão, especialmente após relações sexuais, para evitar o acúmulo de esmegma e secreções.
  2. Circuncisão: Homens que não apresentam fimose podem reduzir as chances de desenvolver câncer de pênis com a remoção do prepúcio (circuncisão), especialmente se a prática for realizada na infância.
  3. Uso de preservativos: O uso do preservativo em todas as relações sexuais é crucial para prevenir infecções por HPV, uma das principais causas do câncer de pênis.
  4. Vacinação contra o HPV: A vacina contra o HPV é uma ferramenta essencial para prevenir a infecção pelo vírus. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 11 a 13 anos. A imunização tem sido eficaz na redução do risco de câncer de pênis, especialmente quando aplicada antes da exposição ao HPV.

*Com informações do Ministério da Saúde

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