Manaus registrou nesta terça-feira (4/3) o maior volume de chuva do ano, com 128,6 milímetros de precipitação em 24 horas, entre 9h de terça e 9h de quarta-feira (5/3).
Esse total representa 40,1% da média esperada para o mês de março, de 320,9 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A intensa chuva causou alagamentos em diversas áreas da cidade, deslizamentos de terra e desabamentos de muros e casas, além do resgate de 68 pessoas e uma série de transtornos para os moradores.
De acordo com dados da Defesa Civil Municipal, foram registradas 59 ocorrências de alagamentos, desabamentos e deslizamentos em todas as zonas da cidade. A Defesa Civil Estadual e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atenderam a 190 ocorrências.
A partir desse cenário, o RealTime1 conversou com dois especialistas para entender as causas dos alagamentos recorrentes em Manaus e as possíveis soluções para minimizar seus impactos.
O que contribui para os alagamentos em Manaus?
Arlindo Sales Pinto, engenheiro civil e consultor em operações de saneamento, destaca como principais fatores para o problema a ocupação irregular das margens por moradias sem planejamento urbano, a deficiência nos sistemas de macro e micro drenagem urbana, e o aumento das áreas impermeáveis nas bacias de drenagem naturais dos igarapés.
“Um bom exemplo disso exemplo são muitas galerias existentes que atravessam as grandes avenidas e foram implantadas há mais de 40 anos” explicou Sales.
Frank Albert Araújo, vice-presidente do Ibape – AM (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia – seccional Amazonas), destaca como principal problema a manutenção inadequada das infraestruturas por parte do poder público ao longo dos anos.
“O principal problema é a falta de manutenção preventiva por parte do poder público há décadas. Em algumas áreas, os alagamentos se tornaram tradicionais, como em frente à Arena da Amazônia, onde qualquer chuva causa alagamento”, afirmou.
Por que algumas áreas da cidade enfrentam os mesmos problemas?
Arlindo Sales Pinto destaca que o crescimento acelerado e desordenado da cidade contribui para a repetição desses problemas.
“A cidade é dinâmica e com crescimento sempre acelerado e desordenado, isso precisa ser acompanhado pela administração pública porque a grande quantidade de construções impacta a impermeabilização e o aumento do volume de águas pluviais nas calhas dos cursos de água, como nos igarapés”, explicou.
Já Frank Araújo aponta que, apesar de algumas intervenções pontuais, como vem acontecendo na rua Maceió, o sistema de drenagem é antiquado e precisa de uma revisão estruturante.
“Nosso sistema de drenagem é antigo, com tubulações de concreto que se desgastam com o tempo. Sem manutenção adequada, os alagamentos se tornam inevitáveis”, disse.
Ambos os especialistas concordam que o sistema de drenagem atual não é suficiente para lidar com chuvas intensas. Arlindo Sales Pinto defende a necessidade de redimensionamento do sistema de drenagem.
“Manaus tem uma topografia que favorece o escoamento de água, mas as intervenções humanas impactaram o sistema. É necessário redimensionar o sistema de drenagem, implantar novas galerias e desobstruir os igarapés, além de criar reservatórios de contenção para retardamento de lançamento da agua de chuva nos igarapés”, explicou.
Para Frank Araújo, a solução envolve a substituição das antigas tubulações por modelos mais modernos.
“Capitais como São Paulo e Curitiba já substituíram suas redes antigas por tubulações de polietileno, que suportam mais o tráfego e as cargas das vias. Isso é uma solução que pode ser aplicada em Manaus, com planejamento adequado tanto operacional quanto de custos”, sugeriu.
Arlindo Sales Pinto enfatiza ainda a importância de revisar o Plano Diretor de Drenagem Urbana e realizar a limpeza contínua dos igarapés, e a implementação de um plano de drenagem eficaz.
Além disso, Frank Com o aumento da intensidade das chuvas e o crescimento da cidade, a solução para os alagamentos em Manaus depende de uma ação integrada entre governo, urbanistas e a sociedade, com foco em um planejamento eficiente e investimentos em infraestrutura para o futuro da capital amazonense.
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