terça-feira, 22 de setembro de 2026

Do luxo ao lixo: para onde vão as fantasias e alegorias depois do desfile?

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Após os desfiles no Sambódromo de Manaus, fantasias e alegorias são deixadas nas ruas próximas. (Foto: Divulgação)

Brilham na avenida, encantam o público e fazem história, mas, depois do desfile, muitas fantasias do carnaval de Manaus acabam espalhadas pelo Sambódromo ou descartadas em locais inadequados.

Em 2024, após os desfiles do Grupo Especial, equipes de limpeza recolheram cerca de 12 toneladas de lixo, incluindo restos de fantasias, pedaços de alegorias e plásticos.

O cenário de plumas, penas e tecidos jogados ao chão se repetiu na dispersão, uma situação que levanta debates sobre o destino desses materiais.

Cada escola de samba do Grupo Especial usa, em média, 10 a 15 toneladas de materiais para seus desfiles, segundo a Associação do Carnaval de Manaus (ASSCAM).

Enquanto algumas fantasias são reaproveitadas por componentes e blocos menores, muitas acabam no chão da dispersão ou jogadas no lixo.

Nos últimos anos, algumas agremiações têm buscado soluções sustentáveis. A Reino Unido da Liberdade reaproveita parte das fantasias para eventos comunitários, enquanto a Mocidade Independente de Aparecida desmonta adereços para doação a projetos sociais e escolas de samba mirins.

Até a publicação desta reportagem, as demais escolas não haviam informado sobre a destinação do material usado em fantasias e carros alegóricos. Assim que as respostas forem recebidas, o conteúdo será atualizado.

Exemplo de reutilização

No Rio de Janeiro e São Paulo possuem estruturas mais organizadas para o reaproveitamento de fantasias e alegorias.

Na capital fluminense, muitas escolas desmontam seus carros alegóricos logo após o desfile para reutilizar materiais no ano seguinte.

Enquanto cooperativas de reciclagem trabalham diretamente com as escolas para recolher restos de alegorias e plásticos que podem ser reaproveitados.

Em São Paulo, algumas agremiações vendem partes de suas fantasias para outras escolas menores ou reaproveitam estruturas metálicas e adereços em eventos ao longo do ano.

Há ainda projetos sociais que recebem doações de fantasias e tecidos para confecção de roupas para comunidades carentes e oficinas de capacitação.

Um exemplo bem-sucedido é o Projeto Recicla Samba, que transforma restos de alegorias e fantasias descartadas em novos materiais para escolas de samba menores, blocos e projetos culturais.

A iniciativa recolhe itens que seriam jogados fora e os destina a costureiras, artesãos e grupos de teatro, garantindo uma nova utilidade para o material.

A experiência de outras cidades mostra que é possível transformar o luxo da folia em oportunidades sustentáveis, em vez de deixá-lo virar lixo.

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