Depois de ter dito que iria aproveitar o foco da mídia na prevenção da Covid-19 para “passar a boiada”, o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, lançou o programa Floresta +. Mas, em vez de abrir a porteira para a boiada, este programa visa a preservação ambiental da Amazônia Legal.
De acordo com o projeto piloto, a iniciativa vai destinar R$ 500 milhões para conservação da floresta e conta com investimentos do setor privado. Também serão feitos acordos internacionais, na tentativa de reverter os dados que, no entanto, apontam aumento de queimadas na Amazônia.
Durante a apresentação do Floresta +, Salles – que já foi severamente criticado na gestão da pasta – ressaltou que o Brasil possui o maior patrimônio de biodiversidade do mundo. Portanto, tem potencial para se tornar um dos protagonistas mundiais de uma nova economia verde.
Consequentemente, nesse contexto, o papel do governo federal é estruturar o mercado voluntário de serviços ambientais. Além de estabelecer critérios para dar credibilidade e segurança jurídica aos projetos.
“Esse é o maior programa de pagamento por serviços ambientais no mundo na atualidade. Os R$ 500 milhões recebidos do Fundo Verde do Clima vão remunerar quem preserva. Vamos pagar pelas boas práticas e reconhecer o mérito de quem cuida adequadamente do meio ambiente”, destacou Salles, durante reunião virtual.
Estratégia regional
O secretário de meio ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, recebeu a inciativa com otimismo. E garante que o projeto está na mesma sintonia que as políticas que o Estado está tentando implementar
“É um passo muito importante essa iniciativa de valorizar a floresta em pé e seus serviços, em especial os ambientais. Mas esta é uma proposta que segue a mesma linha das políticas que estamos defendendo. Estamos investindo na regulamentação dos serviços ambientais para que a gente possa remunerar quem cuida da floresta”, afirmou Taveira.
Amazonas na frente
No Amazonas, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) implementou o Programa Bolsa Floresta em 2007 para recompensar as populações tradicionais que assumiam o compromisso formal do desmatamento zero.
A família beneficiada firmava os compromissos, entre eles os de não abrir novas áreas de roçado em áreas de florestas primárias; manter seus filhos na escola; participar das associações e de oficinas de capacitação em mudanças climáticas e serviços ambientais.
Para o superintende de inovação e desenvolvimento institucional da FAS, Victor Salviati, o programa Floresta + é um passo extremamente importante e, ao mesmo tempo, se assemelha muito ao programa implementado no Amazonas.
“O programa Floresta + é o primeiro a usar recursos do Fundo verde do clima aqui no Brasil, para apoiar o desenvolvimento sustentável. Os técnicos do ministério do meio ambiente tem conversado com a gente para que eles possam se inspirar nas nossas ações e a Fundação possa ajudar o ministério a implementar essas políticas”, destacou Salviati.
Índices de queimadas são alarmantes
O número de focos de incêndio na floresta amazônica do Brasil aumentou 20% em junho e atingiu o nível mais alto em 13 anos para o mês, segundo dados do governo divulgados nesta semana. Entretanto, os especialistas temem que isso sinalize uma repetição do aumento de incêndios florestais de 2019.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou em junho deste ano 2.248 focos de incêndio na floresta amazônica, ante os 1.880 no mesmo mês em 2019.