quarta-feira, 23 de setembro de 2026
TRANSPARÊNCIA

Por que empresas de pesquisas não aceitam terem seus resultados auditados?

A transparência é a melhor prova de idoneidade e correção técnica. A legislação prevê tais exames e checagens. Não há novidade conspiratória nisso.
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Falta de transparência

Este ano, em Manaus, vivemos uma situação inusitada nas pesquisas eleitorais: várias pesquisas impugnadas, empresas sob vigilância, partidos querendo fiscalizar os procedimentos usados e a Justiça envolvida nessa briga, tendo de tomar posições inéditas, como anular trabalhos. O que algumas empresas poderiam temer, neste processo de fiscalização? O que estaria errado?

Por lei, a Justiça, quando provocada, pode requerer todos os arquivos de uma pesquisa registrada e publicada, a fim de checar sua realização e a idoneidade do serviço realizado.

Aliás, vamos ressaltar: as empresas e os partidos fazem muitas pesquisas. Porém, elas são “internas”. Não são para serem publicadas. Mas há aquelas que são registradas. Elas são as divulgáveis. Contudo, a empresa pode optar por não divulgar. Não há uma obrigação em publicar resultados. E são justamente essas, as registradas e publicadas, que estão dando problema, este ano.

E como isso ocorreu? Desde o início das primeiras publicações, o RealTime1 começou um processo de avaliação técnica das pesquisas registradas e divulgadas. O que parecia banalidade, mostrou-se um saco de gatos. Os registros no TSE estavam equivocados, as bases de dados usadas eram desatualizadas, os questionários completamente sem sentido, a metodologia, inadequada, os relatórios muito impróprios e os custos irreais, entre outros problemas. Tudo isso foi surgindo rapidamente.

Partidos começaram a notar os defeitos e partiram para cima das empresas, solicitando explicações judiciais. De repente, um debate foi instaurado, com algumas empresas reclamando da imprensa por atrapalhar seus negócios. Inclusive, reclamaram que os partidos e a Justiça estavam solicitando seus dados da pesquisa, violando suposto anonimato do serviço, esquecendo que a possibilidade de se obter tais dados de verificação, como questionários ou o banco digital das repostas, é algo antigo na legislação eleitoral brasileira.

O que algumas empresas poderiam temer, neste processo de fiscalização? O que estaria errado?

Transparência é a melhor prova de idoneidade

Em primeiro lugar, temos de pensar que a transparência é a melhor prova de idoneidade e correção técnica. A legislação prevê tais exames e checagens. Não há novidade conspiratória nisso. O que, talvez, pudesse haver era a omissão da imprensa, dos intelectuais especializados (e fico admirado que as universidades não tenham entrado nessa briga), da Justiça e dos partidos (os mais interessados), quando viam pesquisas com equívocos e todos se calavam.

No momento em que não há mais omissão dos atores envolvidos e os dados são solicitados, legalmente, é hora de se cumprir a lei e evitar problemas. É um meio no qual a credibilidade é a melhor referência de uma empresa.

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