quarta-feira, 23 de setembro de 2026
BIODEGRADÁVEIS

Canudo ecológico de babaçu muda de cor se bebida estiver 'vencida'

Os testes em diversos líquidos, como refrigerante, suco de laranja, leite e água, mostraram que os canudos são uma alternativa promissora aos descartáveis de plástico sintético
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Polpa do babaçu é utilizada nos canudos ecológicos (Foto: Divulgação/Embrapa)
Polpa do babaçu é utilizada nos canudos ecológicos (Foto: Divulgação/Embrapa)

Canudos ecológicos biodegradáveis que mudam de cor ao detectar bebidas estragadas e embalagens feitas de resíduos agroindustriais, com propriedades antimicrobianas e antioxidantes, são soluções ecológicas para embalagens e utensílios descartáveis desenvolvidas por pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP).

O pesquisador Luís Baptista e sua equipe desenvolveram canudos biodegradáveis que mudam de cor conforme o pH da bebida, utilizando resíduos da polpa do babaçu e extrato de uva.

O babaçu, comum na região amazônica, já demonstrou em pesquisas anteriores possuir atividades antioxidantes e antimicrobianas.

A antocianina presente no extrato de uva é responsável pela mudança de cor, funcionando como um indicador visual da condição do alimento. Por exemplo, um canudo que fica rosado pode sinalizar que o leite está estragado devido ao aumento de acidez.

Protótipo dos canudos ecológicos (Foto: Luís Fernando Zitei Baptista/USP)

Os testes em diversos líquidos, como refrigerante, suco de laranja, leite e água, mostraram que os canudos são uma alternativa promissora aos descartáveis de plástico sintético, atendendo a preocupações ambientais destacadas na Agenda 2030 da ONU.

As inovações da FFCLRP da USP representam um passo importante na busca por soluções sustentáveis para a indústria de embalagens, com potencial de impacto positivo tanto no meio ambiente quanto na saúde pública.

Diferentes formulações da embalagem plástica baseadas em farinha de amido e de babaçu – (Foto: Arquivo pessoal/USP)

Embalagens plásticas biodegradáveis e antimicrobianas

O biomaterial desenvolvido ela pesquisadora Ivone Iquiapaza utiliza a quitosana, uma substância com propriedades antibacterianas originária da casca de crustáceos, e o extrato de própolis verde como aditivos para os filmes feitos de amido da batata nativa Yana winku, cultivada na comunidade de Marcavalle, na região de Junín, no Peru.

Segundo a pesquisadora, essa espécie de batata possui substâncias capazes de evitar ou reduzir a oxidação de lipídeos presentes nos alimentos, tornando os plásticos produzidos à base de seu amido com maior poder de conservação de carnes, frutas e legumes.

Esta capacidade pode ser comprovada pelo recente estudo Novel Starchy Materials Isolated from Andean Native Potatoes: Physical-Chemical and Functional Characterization and Application in Edible Film Production publicado por Ivone na revista Starch.

Filmes a partir do amido de batata – (Foto: arquivo pessoal dos pesquisadores)

Neste trabalho foram utilizadas diferentes concentrações de amido e própolis para o desenvolvimento de filmes por método casting (promove alto controle da espessura do filme sem necessidade de aditivos). Filmes de amido e quitosana também foram produzidos, em diferentes proporções, com e sem a adição do extrato de própolis.

Quando o extrato de própolis foi incorporado, observaram um aumento significativo nas propriedades ativas, com filmes mais resistentes à água, de maior opacidade e estabilidade térmica, “ajudando a manter o frescor, o sabor, a cor e a qualidade nutricional”, complementa Ivone.

Ao explicar a incorporação da quitosana à fórmula, a pesquisadora fala da ação antifúngica e antimicrobiana da substância. “Portanto, teremos uma embalagem biodegradável ativa, pois, por meio de seus compostos antimicrobianos e antioxidantes, aumentará a vida útil dos produtos alimentícios”, afirma, acrescentando que ao agregar tais propriedades as embalagens podem ainda agir contra o crescimento de microrganismos na superfície dos alimentos.

*Com informações de Felipe Faustino do Jornal da USP

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