Uma tradicional pergunta de todas as pesquisas eleitorais é aquela sobre qual(is) candidato(s) o eleitor mais rejeita, aquele(s) em quem ele nunca votaria. Porém, a pesquisa Quaest/Real Time 1 procurou inovar nessa questão.
Em vez de fazer a pergunta simples “Qual desses candidatos você nunca votaria” direcionada a todos os respondentes, a questão foi dividida em duas etapas: “Você conhece fulano de tal? Se conhece, seria possível votar nele ou nunca votaria nele?”. Assim, buscou-se alcançar outro tipo de entendimento sobre o eleitor e evitar algumas “pegadinhas” do trabalho de campo.
Algumas vezes, quando a pergunta é sobre rejeição, o entrevistado não conhece determinado nome, nunca ouviu falar dele, mas assim mesmo o menciona. O respondente, mesmo sem ter qualquer conhecimento sobre o candidato, por inúmeras razões, fala aquele nome e diz que não gosta dele.
Para evitar essas situações, a pesquisa Quaest objetivou separar o desconhecimento sobre o candidato, tanto no caso da aceitação quanto no da rejeição. Por isso, o gráfico sobre essa pergunta traz três informações: se o eleitor conhece o candidato, se o entrevistado poderia votar nele ou se nunca votaria, caso o conheça.
Assim, vemos que há nomes – como o do atual prefeito David Almeida – que são muito conhecidos, o que é natural pelo seu cargo. Sua rejeição real é aquela apontada nos índices do gráfico, pois é conhecido pela quase totalidade da população.
Por outro lado, há pessoas muito desconhecidas, como Maria do Carmo Seffair, que não são reconhecidas por 77% dos entrevistados. É difícil dizer qual sua rejeição real ou seu potencial de votos. Primeiro, ela precisa ser conhecida pelo eleitorado. Depois, pode-se pensar em ver qual sua rejeição ou aceitação.
O mesmo raciocínio vale para os outros. Eles devem ver quantos eleitores os reconhecem. Depois, ver o que fazer para subir nessa taxa de conhecimento. Contudo, devem ter em mente que já são rejeitados, ou aceitos, por muitos dos eleitores que os conhecem.
Por exemplo, Marcelo Ramos é conhecido por, aproximadamente, 75% dos eleitores. Mas 2/3 daqueles que o conhecem o rejeitam e somente 1/3 disse que poderia votar nele. É um sinal de alerta.
Outro bom exemplo é o de Amom Mandel. Ele é conhecido por quase 2/3 do eleitorado (64%), porém, apenas algo próximo de 1/3 desses que o reconhecem não votariam nele (22%). Ele possui o dobro de pessoas dispostas a votar nele, dentre aquelas que o conhecem. É um fator positivo, pois indica que poderia crescer, caso seja mais conhecido. Essa mesma linha de análise serve para os outros nomes.
O intuito da pesquisa foi ser o mais fiel possível à maneira do eleitorado pensar a eleição e os candidatos. Rejeitar ou aceitar alguém está vinculado a conhecer essa pessoa e saber o que ela faz ou quem é. Em alguns casos, o desconhecimento sobre um candidato pode ser benéfico, pois permite que a propaganda o “reinvente”.
Entretanto, é preciso que se saiba exatamente quantas pessoas o reconhecem, para avaliar seu potencial de votos ou de rejeição. Sem essa informação detalhada e destacada, índices simples de rejeição podem dizer pouco sobre as reais chances de uma candidatura.
Ao evitar essa pequena armadilha do trabalho de campo, a pesquisa Quaest buscou ser mais fidedigna aos desejos do eleitorado, evitando alguns vieses ou respostas que pouco pudessem acrescentar ao processo eleitoral.

Dados da Pesquisa Quaest
A pesquisa Quaest foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número AM 07730/2024 e entrevistou 1.002 eleitores de Manaus. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro estimada é de 3,1% para mais ou para menos.
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