quarta-feira, 23 de setembro de 2026
DIVERGÊNCIAS

Coleta de dados da Pesquisa AtlasIntel para prefeito de Manaus repercute negativamente

Números divulgados divergem do registro realizado no dia 18 de abril. Quantidade de entrevistas realizadas por bairros da cidade, por exemplo, apresentam distorções consideradas absurdas
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Pesquisa para prefeito de Manaus

A pesquisa AtlasIntel para prefeito de Manaus, divulgada na última sexta-feira (26/4), repercutiu negativamente ao longo de todo o final de semana no meio político manauara. Estatísticos e analistas levantaram suspeitas sobre a coleta dos dados, o critério de exclusão das entrevistas realizadas no período de 18 a 23 de abril e, consequentemente, sobre o resultado final da pesquisa.

Após ter recebido a informação de que cabos eleitorais estariam “votando” em massa, aproveitando o questionário disponibilizado em link aberto na internet, o RealTime1 confirmou a possibilidade com jornalistas da própria redação, que conseguiram votar duas vezes com o mesmo IP e em equipamentos diferentes.

Grupos políticos teriam arregimentando mais de cinco mil respondentes reutilizando o mesmo link do questionário, colocando em suspeição a aleatoriedade do levantamento.

Apesar do índice de acertos nas eleições presidenciais na Argentina, onde a AtlasIntel antecipou com precisão os resultados do 1⁰ e 2⁰ turnos, em Manaus a pesquisa vem recebendo diversas críticas. Há quem diga que até mesmo Amom Mandel, David Almeida e Capitão Alberto Neto, os três primeiros colocados, foram surpreendidos com os números divulgados.

A suspeita “reside” não só na coleta de dados, cujo questionário também foi disponibilizado em busca permitindo a “participação ativa” de qualquer pessoa ou de grupos de pessoas e sobre qual o critério de exclusão das entrevistas, mas sobre o processo de “eliminação” de milhares de questionários excedentes para somente 800, total de entrevistas informado no registro da pesquisa.

Metodologia questionada: pesquisa ou enquete?

Segundo um especialista em segurança da informação consultado pelo RealTime1, apesar de a AtlasIntel afirmar que a “metodologia da coleta aleatória faz com que o processo seja bem-sucedido, já que faz um processo de ajuste amostral para garantir que a metodologia se torne semelhante à distribuição da população brasileira”, se o questionário pode ser respondido por iniciativa do usuário, no caso de reutilização do link de votação, então um grupo organizado pode gerar viés ao responder, por sua iniciativa, massivamente o questionário.

“Penso que a tecnologia pode de deve ser usada para esse fim, mas temos que separar uma pesquisa estatística de uma votação/enquete. Para isso é fundamental que a entrevista não possa acontecer por iniciativa do entrevistado”, reforça.

A afirmação é confirmada por um cientista político consultado pelo RealTime1, ao abrir a pesquisa para que qualquer um possa responder, a pesquisa fugiu do aleatório e candidatos podem ter direcionado cabos eleitorais para responder o questionário, o que pode ter “bagunçado” todo o plano amostral da pesquisa.

Violação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais?

Sobre a utilização da verificação da pesquisa por “token”, o especialista em segurança da informação também faz críticas.

“O token é um número que estatisticamente não repete, portanto é único, e pode ser armazenado no equipamento do usuário o que permite que ele vote em outro equipamento, ou pode ser associado a dados pessoais o que levanta a suspeita de que eles têm dados pessoais. No primeiro caso não há garantia de que uma pessoa não votará duas vezes, na segunda se o usuário não autorizar o uso de seus dados pessoais pode estar violando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)”.

Mais simples do que o token, segundo ele, seria exigir o CPF ou Título de Eleitor, e marcar ele como “já votou”, mas não pode estar vinculado a um questionário respondido senão poderíamos saber quais as respostas de cada entrevistado.

Divergência de números entre a pesquisa e o registro

Além do número de entrevistados, que no registro da pesquisa AtlasIntel seria de 800 eleitores e não de 825 respondentes, os números consolidados de todas as variáveis indicadas pela empresa no documento anexado após realizada a pesquisa no sistema PesqEle, da Justiça Eleitoral, são divergentes. A empresa não fez Nota Técnica explicando o motivo.

Na variável gênero, por exemplo, a AtlaIntel entrevistou 50,8% de mulheres e 49,2% homens, diferente do percentual de eleitores de Manaus, que é de 53% de mulheres e 47% de homens.

A variável “Renda Familiar” mensal também foi a que mais apresentou distorção entre o registrado e o pesquisado. No registro, a empresa afirmou entrevistar 16% de eleitores com renda familiar mensal de “Mais de R$ 5 mil a R$ 10 mil”, mas entrevistou apenas 11,2% .

Os percentuais das variáveis “Escolaridade” e “Faixa Etária” também apresentam divergências.

Confira as divergências entre o registro e a pesquisa:

No quadro abaixo, é possível observar as diferenças entre o registrado e o que foi feito, apresentando uma miscelânea de contradições.

Pesquisa também apresenta distorções com relação aos bairros

A pesquisa também apresenta distorções absurdas com relação a quantidade de entrevistas por bairros/zona administrativa da cidade.

Na Zona Leste, por exemplo, deixaram de ser feitas 121 entrevistas. Já na zona Centro Sul, foram feitas 119 entrevistas a mais.

Confira a diferença entre os dados censitários mais atualizados divulgados pelo IBGE – que deveriam ter sido utilizados pela empresa – e o número de entrevistas realizadas pela AtlasIntel por bairro/zona.

Confira a diferença no quadro abaixo:

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