Especialistas reunidos na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9/4) discutiram como a inteligência artificial (IA) está remodelando o mercado de trabalho, tanto em termos de desafios quanto de oportunidades para trabalhadores e empreendedores. Durante o debate “Profissões em Risco: Inteligência Artificial e a Empregabilidade”, organizado pelo deputado Helio Lopes (PL-RJ) do Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes), os participantes examinaram o impacto da IA nos empregos atuais e futuros.
Marcello Luiz de Souza Junior, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em São Paulo, mencionou um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicando que a IA pode afetar dois em cada cinco empregos globalmente, potencialmente exacerbando desigualdades sociais. No Brasil, 22% dos empregos enfrentariam impactos negativos, enquanto 19% seriam beneficiados; os 59% restantes não seriam afetados diretamente pela IA.
Tiago Manke, do Instituto Cappra, ressaltou que, atualmente, profissionais especializados em IA estão entre os mais demandados no mercado, conforme estudo do Fórum Econômico Mundial. Em contrapartida, funções como atendentes e vendedores estão entre as mais afetadas pela automação.
Edgar Andrade, executivo da Fablab Recife, argumentou a favor de mais incentivos à educação empreendedora e ao acesso a crédito para novos negócios, visando apoiar tanto empreendimentos inovadores quanto tradicionais. Ele enfatizou a necessidade de criar oportunidades para microempreendedores, como os produtores de bolo de pote em comunidades carentes, gerarem mais renda.
Para enfrentar os desafios impostos pela IA, Souza Júnior sugeriu que universidades e instituições como o Senai desempenhem um papel fundamental no apoio às empresas e na oferta de educação continuada aos trabalhadores. Manke apontou para a acessibilidade crescente das novas tecnologias, incluindo aplicativos de IA gratuitos que podem ajudar microempreendedores a melhorar seus negócios.
O deputado Helio Lopes comparou o potencial de adoção da IA à rápida aceitação do Pix pelo público brasileiro, indicando uma tendência de inclusão digital e tecnológica ampla.
Andrade também trouxe à discussão a ideia de renda básica universal como uma solução para os desafios futuros do mercado de trabalho, sugerindo que as camadas mais ricas da sociedade contribuam para seu financiamento, considerando o aumento esperado no número de pessoas fora do mercado de trabalho devido à automação.
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