quarta-feira, 23 de setembro de 2026
SISTEMA DE CONTROLE

Partido Novo e Avante pedem acesso aos dados da Pesquisa Pontual para prefeito

Partidos políticos e as coligações poderão ter acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das pesquisas eleitorais.
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Pesquisas eleitorais falha grave

O Diretório Estadual do Partido Novo e a Comissão Provisória Municipal do Partido Avante de Manaus solicitaram da Justiça Eleitoral, acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados da pesquisa Pontual para prefeito de Manaus, divulgada na sexta-feira (01/03).

O requerimento do Avante solicita, ainda, a identificação dos entrevistadores, acesso a todas as planilhas individuais, mapas ou equivalentes, preservando-se sempre a identidade dos entrevistados, bem como acesso integral ao relatório entregue ao contratante da pesquisa e ao modelo do questionário
aplicado da pesquisa eleitoral.

A solicitação é respaldada no art. 34, § 1º da Lei nº 9.504/1997: Os partidos políticos e as coligações poderão ter acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades e das empresas que divulgarem pesquisas de opinião relativas aos candidatos e às eleições, incluídos os referentes à identificação dos entrevistadores e, por meio de escolha livre e aleatória de planilhas individuais, mapas ou equivalentes, confrontar e conferir os dados publicados, preservada a identidade dos entrevistados.

Profissionais da área identificam inconsistências na pesquisa

O relatório da Pesquisa Pontual para prefeito de Manaus divulgado nesta sexta-feira (01/03) vem sendo questionado por profissionais da área. Além dos pontos apontados na *Análise RT1 – Pesquisas Eleitorais*, outros foram questionados, inclusive sobre o questionário registrado pela empresa junto ao TSE e utilizado para o levantamento de campo.

Sobre o questionário da Pontual Pesquisa para prefeito de Manaus

A Pontual não pergunta se o entrevistado vota em Manaus. Como fazer uma pesquisa eleitoral para prefeito de determinado município sem saber se a pessoa a ser entrevistada é eleitora da cidade? Após o entrevistador se apresentar (orientação que também não consta no questionário) essa deveria ser, obrigatoriamente, a primeira pergunta a ser feita.

Sobre o perfil dos entrevistados, o questionário inclui a opção S/R (Sem Resposta) para  as variáveis idade, escolaridade e renda. No entanto, o padrão internacional considera que resposta como idade e escolaridade devem ser preenchidas. Em caso de recusa do entrevistado, a pesquisa deve ser encerrada.

A única variável que pode ser aceita a resposta S/R é a de renda.

Caso um entrevistado não queira informar algum desses dados, a entrevista precisa ser encerrada, e isso não é especificado no questionário, que é um guia a ser utilizado pelo pesquisador em campo.

Questionário sem identificação

Outro ponto observado foi que o questionário não apresenta campo para informar os dados de quem checará a informação, do verificador e do próprio entrevistado.

Como fazer a checagem da entrevista se não se sabe o nome do eleitor entrevistado?

O questionário deveria informar ao entrevistado que os dados são confidenciais, que a empresa segue a nova Lei Geral de Proteção de Dados, que as informações da entrevista serão protegidas e perguntar se autoriza o uso das respostas das questões a serem feitas.

Caso a empresa necessitasse fazer alguma correção/ajuste no questionário registrado, o mais correto seria fazer um documento explicando/justificando as alterações/inclusões necessárias.

Para melhor entendimento e comparação, abaixo, o questionário registrado pela Pontual Pesquisa e o questionário utilizado pelo Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria na eleição de 2022 para governador do Amazonas.

Sobre o relatório da Pesquisa Pontual para prefeito de Manaus

No relatório divulgado, os dados sobre o perfil dos entrevistados não correspondem com os dados indicados pela empresa no registro da pesquisa junto ao TSE.

No registro a empresa informou, por exemplo, que 55% dos entrevistados seriam eleitores com escolaridade Ensino Médio Incompleto/Completo. No entanto, entrevistou 56,8% de eleitores deste subgrupo: uma diferença de 1,8%.

Confira as diferenças entre os dados registrados e os apresentados na pesquisa:

Quadro comparativo de variáveis (Foto: Reprodução)

Para as variáveis (quadro acima) sexo, idade e grau de instrução, a Pontual utilizou dados do TSE de dezembro de 2023. Caso tivesse utilizado como fonte o Censo de 2022, que já possui dados mais atualizados, as discrepâncias seriam ainda maiores.

Utilizando o mesmo exemplo do subgrupo de eleitores com escolaridade Ensino Médio Incompleto/Completo, a diferença seria de 16,6%.

Um exemplo clássico de que como a utilização de bases desatualizadas pode alterar inclusive o resultado de uma pesquisa.

Isso porque, quando a diferença dos pesos que cada um dos subgrupos de cada variável são elevados, eles tendem a ultrapassar a margem de erro podendo ter um impacto significativo no resultado final, comprometendo a pesquisa.

Perguntas feitas e não divulgadas

Outro questionamento feito foi sobre o porquê de a empresa não ter divulgado as respostas de todas as perguntas do questionário aplicado.

Entre elas, a pergunta espontânea sobre em que o eleitor votaria para prefeito e a pergunta estimulada sobre qual a segunda opção de voto do entrevistado.

A resposta sobre a segunda opção de voto seria obrigatória para que se pudesse calcular o potencial de votos de cada um dos pré-candidatos.

Aqui cabe destacar, como em todas as outras situações, que a ausência de cruzamentos, fragiliza a pesquisa. Pois se fosse possível cruzar a 1ª com a 2ª opção, saberia-se qual o deslocamento de votos de quem escolhe a primeira e para onde passaria a votar na 2ª. Opção.

Nível de Rejeição

Outra inconsistência apontada no relatório foi quanto a resposta para pergunta:  “Desses candidatos, em  quem você não votaria”, para avaliar a rejeição dos nomes apresentados.

As respostas da pergunta estimulada da rejeição de resposta deveria o mais adequado seria um padrão diferente do que foi apresentado.

Em cenários com mais de cinco nomes, o que é o caso da Pesquisa Pontual, quando se faz 1ª e 2ª  opção, obrigatoriamente se deve fazer a 1ª e 2ª rejeição.

Pesquisa não avalia voto consolidado

Outro ponto da pesquisa da Pontual considerado frágil é quanto a pergunta “Você já tomou uma decisão sobre votar no candidato em questão?”.

Segundo profissionais da área, de nada adianta fazer essa pergunta, apresentar um gráfico para 100% da amostra, sem cruzar com todos os nomes pesquisados. Porque o importaria saber, nesta pergunta, é o grau de consolidação de voto para cada nome, e não de forma genérica como foi apresentado no relatório divulgado.

Essas foram algumas das observações captadas pela redação do RealTime1 na sexta-feira (01/03). Caso outras sejam recebidas, serão acrescidas no material.

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