A Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores revelou, neste fim de semana para o colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, que “jogou a toalha” na disputa pelas prefeituras das capitais do Norte e assim comprovou as conclusões de um estudo do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (Legal) que mostra a força de partidos de direita na região.
Desde a redemocratização em 1985, o PT disputou quatro eleições para a prefeitura de Manaus e nunca chegou sequer ao segundo turno. No entanto, no Estado venceu cinco eleições para a Presidência da República, três com Luís Inácio Lula da Silva e duas com Dilma Rousseff.
Essa contradição, diz o cientista político Odenei Santos, tem a ver com as forças políticas com as quais o PT se alia para vencer as eleições nacionais e que acabam fragilizando os candidatos na base. Ele lembra que para vencer, o PT contou com o apoio dos então governadores e hoje senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), que posteriormente cobraram a fatura de apoio aos candidatos deles em Manaus.
Nesse período, foram seis eleições sem candidatura própria em Manaus, desde que Aloisio Nogueira (1985) e Oliveira Barroncas (1988) foram candidatos. O retorno do partido se deu com José Ricardo em 2016, que ficou em quarto lugar e repetiu o nome dele, em 2020, quando ficou em terceiro.
Estudo mostra força da Direita na região
“Os estados da Amazônia Legal que possuem maior tradição de eleger partidos de direita são Roraima e Rondônia, mas também entram na categoria Amazonas e Tocantins. Esses estados apresentam em comum uma dominância da direita na maioria dos cargos, com exceção da presidência, durante todo o período. Tanto no executivo estadual quanto no legislativo estadual e federal, há uma predominância clara de candidatos de direita ou centro-direita, elegendo poucos candidatos de esquerda no período”, dizem os pesquisadores da rede Legal que assinam o estudo “A Dinâmica eleitoral nos estados da Amazônia Legal: Um quadro sintético e comparativo“.
Novamente as conclusões dos pesquisadores se aplicam nas eleições do Amazonas, pois nos parlamentos a presença de candidatos do campo da esquerda é sempre minoritária.
Atualmente, por exemplo, só há um vereador a Câmara Municipal de Manaus do PT, Sassá da Construção Civil, um deputado estadual, Sinésio Campos (PT), e nenhum deputado federal ou senador desse campo ideológico.
Segundo os pesquisadores, em Estados como o Amazonas, os partidos de esquerda muitas vezes não seguem a classificação ideológica da forma esperada, podendo muitas vezes ser considerados de centro-esquerda ou centro.
“Logo, muitos candidatos com ideais conservadores são eleitos sob legendas de esquerda”, descreve o estudo. “Isso também é cristalino no Amazonas, ou será que o Sinésio é um esquerdista clássico? Não, ele tem pautas próprias, até de mineração em terras indígenas“, completa Odenei.
Divisões na esquerda dificultam disputa
Para a eleição deste ano um outro fator conspira contra o sucesso eleitoral dos partidos de esquerda, a fragmentação de candidatos. Tentando formar uma frente única para lançar um único candidato em Manaus e nos principais municípios, representantes de sete partidos se reuniram em novembro, mas até hoje não voltaram à mesa de negociação.
Enquanto isso, o PT tem quatro pré-candidatos, o PDT um, o PSOL duas pré-candidatas e o PCdoB outros dois.
Unificar esses interesses é difícil, mas segundo o representante do PCdoB, o ex-deputado estadual Eron Bezerra, é a única saída para esses partidos no Amazonas, que até hoje não “capitalizaram” as seguidas vitórias de Lula e Dilma.
Para Anne Moura, uma das pré-candidatas do PT, a candidatura própria é um impositivo, pois a virtual candidatura à reeleição de Lula em 2026 passa pela formação de um bloco de prefeitos de esquerda nas capitais e nas cidades com mais de 200 mil eleitores.
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