Parece que a moda de perder a compostura, no âmbito das autoridades brasileiras, pegou. Um vídeo mostrou que no dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro e seu time de ministros reuniram-se e algumas autoridades perderam a compostura e proferiram inúmeros palavrões, além de graves acusações contra governadores e os ministros do STF. Por aqui, o conselheiro do TCE, Ari Moutinho Júnior, repetiu essa semana comportamento semelhante.
Em audiência pública, transmitida pela internet, para discutir a importância econômica da exploração do gás natural no estado, o conselheiro se exaltou e chamou o governador Wilson Lima “chefe de quadrilha”.
O governador reagiu e divulgou uma nota repudiando o comportamento do conselheiro e depois afirmou que vai solicitar a suspeição do mesmo.
O doutor em sociologia e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Marcelo Seráfico, classificou como destrambelhada a manifestação do conselheiro, Ari Moutinho.
“É preciso depurar essa manifestação destrambelhada no que tange o julgamento de valor emitido pelo conselheiro numa audiência pública. Para uma pessoa que exerce função pública de emitir parecer esse comportamento é, no mínimo, inadequado. ” criticou, Seráfico.
Para o filósofo e também doutor e professor da Universidade Federal do Amazonas, José Alcimar, a forma do discurso não condiz com o cargo de conselheiro do TCE e o juízo de valor emitido nas acusações requer uma base material.
“Se ele fala assim com o governador do estado, imagine como não trata uma pessoa comum”, também indagou o professor.
A reportagem do realtime1 tentou entrar em contato com o presidente da seccional regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), por meio da assessoria de imprensa, mas a entidade de classe não quis emitir opinião sobre o fato.
O presidente da Escola Superior de Magistratura do Amazonas , Flávio Pascarelli, afirmou não poder emitir juízo de valor sobre o caso, visto que, na opinião dele haverá judicialização, ou seja, provavelmente Wilson Lima entrará com um processo contra o conselheiro.
“Juiz não pode opinar”, afirmou Pascarelli.