Há quase 30 anos longe da política, a ex-juíza e ex-parlamentar amazonense Beth Azize anunciou que pretende disputar as eleições gerais de 2022 e retornar à Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) como deputada estadual.
Aos 80 anos, completados em 2020, Beth disse que faz parte de um movimento da sociedade que luta pela credibilidade das Casas Legislativas e sente a obrigação de retornar ao órgão.
A ex-parlamentar acrescentou que está insatisfeita, não apenas com o poder legislativo do Estado, mas também com as Assembleias ao redor do Brasil, porque, segundo ela, as Casas perderam a independência e o poder de fiscalizar o Executivo.
Beth acrescenta que o poder legislativo é responsável por conduzir a moralidade e a seriedade antes de cobrar a mesma postura dos poderes executivo e judiciário.
“O poder executivo não pode seguir orientação de um legislativo que só visa os seus interesses e de um judiciário que passou a ser um poder político. Nenhuma democracia resiste a isso”, afirmou.
Beth também disse que, por enquanto, não pretende se filiar a nenhum partido político porque está aguardando os parlamentares federais se posicionarem com relação às candidaturas avulsas, o que para ela seria o ideal. Ela afirma que dentro dos partidos ocorrem inúmeras negociatas para o apoio de candidatos.
Desilusão política
O último cargo assumido por Beth na vida política foi o de deputada federal, quando foi filiada ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), e cumpriu o último mandato parlamentar no período de 1991 a 1994, mas não foi reeleita.
A ex-parlamentar afirmou que nas últimas décadas preferiu se distanciar da vida pública, após desilusões encontradas ao longo da trajetória política.
“Eu comecei a ter todos os sentimentos negativos que a vida pública pode dar. Fiquei sem crença. Não acreditava mais na opinião pública e só depois que eu fui ter conhecimento que não foi o povo que tirou a minha cadeira na Câmara Federal. Foram partidos políticos e, à frente, o PCdoB”, disse.
Fraude
De acordo com Beth, ao tentar a reeleição como deputada federal, em 1994, não obteve a quantidade de votos necessários porque, segundo ela, a apuração das urnas foi fraudada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Segundo a ex-parlamentar, as siglas se uniram para transferir os votos que seriam dados a ela, à ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). Em 1994, Vanessa era vereadora e disputou a eleição como deputada, mas não foi eleita. Vanessa se tornou deputada federal somente em 1998.
“Montaram um esquema de apuração. O mais sórdido que eu conheci em toda a minha vida pública. E, com isso, eles retiraram os meus votos e transferiram para ela. Conclusão: eu não fiz voto de legenda e, por isso, não fui reconduzida à Câmara Federal”, contou.
Reportagem: Izaías Godinho
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