terça-feira, 29 de setembro de 2026
MIGRAÇÃO

Ponte Rio Negro favorece migração pendular entre Manaus e cidades vizinhas

O especialista observa este movimento, principalmente, nos municípios de Careiro da Várzea, Presidente Figueiredo, Manacapuru e Iranduba.
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(Foto: Divulgação)

Após a inauguração da Ponte Jornalista Phelippe Daou, mais conhecida como Ponte Rio Negro, em 2011, a migração pendular começou a crescer em Manaus. Esse tipo de mobilidade ocorre em um ritmo diário, entre um local e outro. Geralmente é entre uma cidade menor que está próxima a uma cidade maior.

De acordo com Marcos Castro, especialista em Geografia Urbana, o fenômeno ocorre muito em regiões metropolitanas, onde populações de cidades menores migram todos os dias para trabalhar na “cidade grande” e depois voltam à noite para seu local de residência.

“Após a construção da Ponte Rio Negro, os setores de comércio, serviços e imobiliário começaram a expandir para além da ponte, e isso gera esse movimento pendular. As pessoas vão ou na busca de serviços ou adquirem um imóvel do outro lado e vêm trabalhar todos os dias e voltam”.

O especialista observa este movimento, principalmente, nos municípios de Careiro da Várzea, Presidente Figueiredo, Manacapuru e Iranduba.

“Nos municípios de Iranduba e Manacapuru, por exemplo, estudantes vêm e vão todos os dias. Então, esse movimento está relacionado tanto ao trabalho quanto à busca de serviços e também a uma parcela significativa de estudantes que vêm estudar, sobretudo na questão que envolve o ensino superior, onde ainda não existem esses cursos nas sedes, e eles vêm buscar em Manaus”, completou.

Recém-formada em Letras pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, a estudante Hamilly Amaral Pontes, de 21 anos, mora em Manacapuru. Durante os cinco anos de faculdade, ela teve que se deslocar diariamente entre as duas cidades.

Ao Real Time1 Hamilly informou que a Associação Municipal dos Estudantes Universitários de Manacapuru (AMEUM) fornece ônibus para deslocar os estudantes até a capital, por um valor mensal fixo.

“É uma mistura de gratidão por termos a oportunidade de um ônibus que nos leve para a universidade ou para mais perto dela, como é o caso de muitos outros alunos de outras universidades, e de cansaço extremo, passar todos os dias pela estrada é bem difícil”.

Gabriel Ricardo, de 22 anos, mora no Careiro da Várzea, e é graduando em enfermagem no Centro Universitário do Norte (Uninorte), na capital. Diferente de Hamilly, Gabriel utiliza os transportes fluvial e terrestere para chegar à faculdade.

“Minha rotina todos os dias é bem cansativa, logo no início da faculdade, em 2019, eu costumava acordar às 4h30 para me acostumar com a rotina e não perder o transporte, mas hoje em dia, acordo às 5h da manhã, pois o transporte fluvial, cedido pela prefeitura de Careiro da Várzea, tem horário para sair às 6h.

Após chegar ao porto da Ceasa, o estudante conta com um microônibus e uma van, também cedidos pela prefeitura do Careiro da Várzea, que faz o transporte de todos os estudantes do Careiro até o mais próximo possível das suas universidades.

“Estou no décimo e último período, cumprindo horas de estágio obrigatório. A jornada não foi e nem está sendo fácil, mas graças a Deus está fluindo para poder proporcionar uma qualidade de vida melhor para mim e minha família”, finalizou.

Os trabalhadores que precisam vir à capital podem utilizar os serviços do transporte semiurbano, táxis ou veículos próprios. Como é o caso do mecânico Antônio José, de 49 anos; ele mora em Iranduba, mas trabalha em Manaus, de segunda-feira à sábado.

Antônio está há um mês sem o seu carro e precisa utilizar o transporte semiurbano para vir à capital trabalhar.

“Todos os dias, acordo às 5h da manhã para pegar o ônibus para Manaus. Geralmente, às 17h já estou retornando pra Iranduba. Alguns dias, quando estou muito cansado das pernas, acabo voltando de táxi, pagando uns R$ 10 mais ou menos”.

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