quarta-feira, 23 de setembro de 2026
MEIO AMBIENTE

Chuvas voltam, mas 'Inverno Amazônico' será fraco, diz meteorologista

Os meses de outubro e novembro são considerados meses de chuva como "Inverno Amazônico".
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Período de chuva aumento de casos de gripe e covid
Em 24 horas, Manaus acumula 40% da chuva esperada para março. (Foto: divulgação)

As chuvas começaram com mais frequência no Amazonas, mas a estimativa dos especialistas em meteorologia é que o ‘inverno amazônico’ seja fraco, este ano, por conta do fenômeno El Niño.

De acordo com a climatologia, em Manaus, os meses de outubro e novembro são considerados meses de transição da estação seca para a chuvosa. Esse período chuvoso é conhecido como “Inverno Amazônico”. Segundo a meteorologista, Deydila Bonfim, o inverno na Amazônia tem início em dezembro e se estende até meados de maio, sendo os meses mais chuvosos entre janeiro e abril.

A meteorologista explica que devido aos efeitos do El Niño, fenômeno climático natural definido como a persistência do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, as chuvas ainda acontecem de forma tímida mesmo já estando na época delas.

“Como ainda estamos sob o efeito do El Niño e com as águas do Oceano Atlântico na porção norte mais quentes que a média, estas condições mudam a circulação dos ventos na atmosfera, resultando na inibição da formação de nuvens mais robustas, com isso, reduzindo as chuvas em grande parte da Amazônia Legal. Sendo assim, pela climatologia espera-se o aumento gradativo das frequências e intensidade das chuvas, mas os volumes sazonais ainda serão impactados pelas forçantes oceânicas, predominando chuvas abaixo na média,” pontuou Bonfim.

Com as chuvas, começa a cheia dos rios

Devido à inclinação do eixo terrestre, nas latitudes mais próximas do equador, na região amazônica não há as definições clássicas das estações como outono, inverno, primavera e verão. Os amazonenses identificam as estações pelo volume de chuva durante os meses do ano, por isso, existe duas estações definidas: a chuvosa, onde ocorre o maior volume de chuvas, e a seca com menos chuvas.

Com a volta das chuvas, inicia o processo de cheia dos rios, mas, segundo o pesquisador em Geociências, André Santos, ela ainda não pode ser sentida em algumas regiões do estado. “O aumento do volume do rio já pode ser sentido, com exceção do alto rio negro, médio rio Negro e o rio Branco em Roraima. Nestas bacias as mínimas são observadas no início de cada ano, entre fevereiro e abril dependendo da localidade”.

Devido à seca histórica, a preocupação dos amazonenses agora é com a cheia e se a mesma pode ser algo tão grande e modificador quanto foi a seca. Mas segundo Santos, um evento de seca grande não significa que precede uma cheia na mesma proporção.

“É preciso que se desconstrua esse mito de que um evento de seca grande precede um evento de cheia grande, isso não procede. Ademais, há previsão de que o El Niño ainda traga influências para a Amazônia, isso impactaria de forma a reduzir a magnitude da cheia e não o inverso,” finalizou.

Em relação ao pico da cheia em 2024, o pesquisador respondeu que a previsão só é possível ao término do mês de março, quando o Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulga o primeiro alerta de cheias.

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